A economia do Paraná não será afetada pela redução da Tarifa Externa Comum (TEC) para importação de bens de capital (máquinas e equipamentos para indústrias). Essa iniciativa, que pode prejudicar o Estado de São Paulo no curto prazo, poderá ter efeito rápido sobre a economia argentina e o Brasil será beneficiado no médio e longo prazo, avaliou ontem Antoninho Caron, da Secretaria de Estado do Planejamento. Apesar da crise de demanda na Argentina, o quadro de exportações de produtos paranaenses para aquele País revela que o fluxo ainda está em alta.
Conforme levantamento do Centro de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Paraná, as exportações do Paraná para a Argentina no ano 2000 somaram US$ 474 milhões, o que corresponde a um aumento de 55% sobre as exportações do ano anterior, que somaram US$ 305 milhões. No acumulado de janeiro e fevereiro de 2001, as exportações somam US$ 62,4 milhões, contra US$ 48 milhões obtidos com as exportações do mesmo período do ano passado.Por outro lado, o Paraná continua importando mais produtos argentinos. As importações foram alavancadas pela compra de óleos brutos de petróleo, automóveis, trigo, peças e autopeças. As importações em 2000 somaram US$ 863,4 milhões, que corresponde a uma alta de 24% sobre as importações do ano anterior, que somaram US$ 700 milhões.
Cerca de 75% das exportações do Paraná para a Argentina estão concentrados em 30 produtos. Somente as exportações de automóveis a gasolina e a diesel correspondem a 35% do total exportado. A Renault é uma das empresas paranaenses que vem elevando as exportações de automóveis para a Argentina.
Em compensação, a exportação de aves e derivados vem caindo. Em 99 foram exportados um total de US$ 8,4 milhões, uma queda de 16,61% sobre as exportações do ano passado que somaram US$ 6,8 milhões. O setor já vinha enfrentando uma redução drástica nas vendas para a Argentina desde que o País adotou uma sobretaxa para as importações de frango do Brasil.
Entre todos os itens comprados pelos argentinos do Paraná, no
acumulado de janeiro e fevereiro de 2001, as importações somaram US$ 134 milhões, contra US$ 82,6 milhões no mesmo período do ano passado. Caron não acredita em queda drástica nas importações da Argentina porque a capacidade de compra da moeda continua forte. Se o País se modernizar rápido, como leva a crer com a recente medida de reduzir a TEC a zero, o País sairá da crise mais rápido e o Paraná será beneficiado com isso, adiantou Caron.
Apoio irrestritoO ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, disse ontem que vai consultar empresários sobre o regime de exceção provisório da Tarifa Externa Comum (TEC). A idéia, segundo o embaixador especial do Mercosul, José Botafogo Gonçalves, é ouvir sugestões dos empresários, principalmente com relação ao tempo de exceção que o Mercosul concederá à Argentina. Mas o embaixador avisou que o governo não vai voltar atrás em sua decisão de apoiar a Argentina ou permitir que setores da economia brasileira também adotem medidas semelhantes às que serão adotadas na Argentina.

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