ArquivoQuestão de qualidadeSó o adensado pode garantir presença do Paraná na receita das exportações brasileiras O desempenho favorável das exportações de café está refletindo a alta das cotações do café no mercado, iniciada desde o começo do ano. O preço médio de cafés de boa qualidade ultrapassa a marca de US$ 200,00/saca há quatro meses; em julho a saca do café estava cotada a US$ 205,80. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores, já foram embarcados esse ano 8,5 milhões de sacas de café, uma receita de US$ 1,6 bilhão. Mas esse desempenho não está beneficiando o Paraná, que tem uma participação inexpressiva nas exportações brasileiras.
O volume exportado representa um acréscimo de 69% no movimento registrado no primeiro semestre do ano passado e a participação do café na receita cambial subiu de 3,6% para 5,3% esse ano. Segundo a Federação das Indústrias Exportadoras de Café, sediada no Rio de Janeiro, apenas 50% do café produzido no País é exportado. O restante é consumido no mercado interno, por absoluta falta de qualidade para ser vendido no mercado externo.
A previsão da Abecafé é que esse ano sejam exportados 16,5 milhões de sacas, 27% a mais que o ano passado.
Segundo a Secretaria da Agricultura, a presença do Estado nessas exportações ainda é pequena. A projeção feita pela técnica Margorette Demarchi, do Deral, que tomou por base o desempenho das exportações em 1994, antes da geada, a participação do Estado nas exportações não deve superar 3%. Por outro lado, ela lembra que o Paraná lidera as exportações de café solúvel, com uma participação de 40% das vendas ao exterior, gerando uma receita de US$ 144 milhões.
Para Norberto Ortigara, do Deral, a participação do Paraná nas exportações de café deve aumentar em função das projeções de aumento de safra ano que vem. Cerca de 91% da safra já está colhido e ela aponta para uma produção de 1,7 milhão sacas. Desse total, 10% refere-se à produção do plantio adensado que rendeu cerca de 170 mil. Outras 180 mil sacas são oriundas das lavouras dobradas que mesclam plantas velhas e novas e o restante o plantio convencional.
Para 1998 a previsão da Seab é colher acima de 2 milhões de sacas no Paraná, quando o Estado terá restabelecido sua capacidade produtiva que estava reduzida desde a geada de 1994. Desse total, 300 mil sacas ou o equivalente a 15% deverão vir do plantio adensado, portanto com uma qualidade mais adequada para o padrão exportação, aposta Ortigara.
Para os operadores de mercado e escritórios de exportadoras, a ausência do Paraná nas exportações deve ser debitada, também, ao fator qualidade. A qualidade do café paranaense só vai melhorar com o aumento da participação do produto do plantio adensado.

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