Três doutores do Paraná são finalistas do Prêmio Santander Banespa de Ciência e Inovação. Os projetos focam, individualmente, a criação do bicho-da-seda, o saneamento básico e a segurança da construção civil
O único acervo biológico de bicho-da-seda não privado do País, associado à Universidade Estadual de Maringá, será mantido e estudado pela professora Maria Aparecida Fernandez, para pesquisar o genoma destes organismos e encontrar os melhores exemplares para cruzá-los e gerar híbridos comerciais. As amostras serão usadas pela comunidade de Nova Esperança, considerada a capital nacional da seda, pois produz 90% dos casulos.
''Essa iniciativa contribuirá para revitalizar a Associação dos Sericicultores da cidade e ampliará a oferta no mercado de híbridos para produzir casulos'', diz Maria Aparecida, uma das 16 finalistas da segunda edição do Prêmio Santander Banespa de Ciência e Inovação, na categoria de Serviços. Professora da universidade, ela é graduada em Ciências Biológicas, mestre e doutora em Morfologia-Biologia pós-doutora pelo Institut Pasteur, de Paris.
Outra finalista, pela categoria Responsabilidade Social, é a professora Naína Pierri Estades, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Junto com a doutora Man Yu Chang e a mestre Tâmara Van Kaick, ela desenvolveu um projeto que poderá tornar a Vila das Peças, comunidade de pescadores artesanais de Guaraqueçaba (PR), o primeiro local do Estado a ter um sistema integral de saneamento com base em responsabilidade social.
Para driblar a falta sazonal de água na comunidade, o projeto abrange a construção de uma caixa d'água de 30 mil litros, já concluída, a coleta seletiva de lixo e um depósito para aproveitar os resíduos orgânicos e incinerar os não-recicláveis. A última ação será o tratamento de esgoto.
''O diferencial de nossa proposta é promover soluções tecnicamente apropriadas, articulando parcerias e capacitando a comunidade na sua gestão, numa prática coletiva da responsabilidade social'', afirma Naína, graduada em Sociologia, mestre em Educação Ambiental e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento.
terceiro finalista do Paraná, Fernando Castaldo, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), desenvolveu um sistema de monitoramento capaz de detectar possíveis danos estruturais em obras da construção civil antes de os efeitos externos serem perceptíveis, permitindo ações preventivas.
''O sistema registra os esforços a que a estrutura está submetida e funciona como uma espécie de caixa-preta embutida na construção. Os engenheiros terão dados confiáveis para realizar trabalhos de manutenção'', explica. O sistema é composto por sensores posicionados em pontos vitais da construção, como, as vigas mestras, e interligados por uma rede de comunicação e energia conectada a uma unidade central, responsável pelo gerenciamento e armazenamento temporário da informação. ''Pretendemos ter uma solução de baixo custo e com tecnologia microeletrônica nacional'', diz Fernando, que concorre ao prêmio na categoria Tecnologia. O pesquisador é graduado em Engenharia Elétrica, mestre em Eletrônica de Potência e doutor em Instrumentação e Microeletrônica.
O Prêmio Santander Banespa de Ciência e Inovação contempla doutores que produzem as melhores pesquisas de caráter tecnológico inovador e o vencedor de cada categoria receberá R$ 50 mil.
Os vencedores de cada categoria - Indústria, Serviços, Tecnologia e Responsabilidade Social - serão anunciados dia 29, em cerimônia em São Paulo, e também divulgados no portal Universia Brasil (www.universia.com.br/premiosantander).

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