As entidades paranaenses ligadas aos produtores rurais do Estado prometem voltar a Brasília (DF) no início da semana que vêm com o intuito de pressionar para que a votação do novo Código Florestal finalmente entre em pauta na Câmara dos Deputados. A novela que se estende na capital federal ganhou mais alguns capítulos com o adiamento da votação para a próxima terça-feira. Líderes partidários da base aliada, reunidos com os ministros da Agricultura, Wagner Rossi, do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, decidiram adiar a votação para tentar um acordo em torno do texto que será levado ao Plenário.
De acordo com Carla Beck, engenheria agrônoma do departamento de economia da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), que foi até Brasília para acompanhar a discussão durante esta semana, ficou um sentimento de frustração com o adiamento da votação. Entretanto, ela disse acreditar que até segunda-feira, ruralistas, ambientalistas e governo cheguem a um consenso. ''Ficou combinado que na próxima semana retornamos com um grupo significativo de pessoas para fazermos uma mobilização em torno da votação'', adiantou.
Os pontos do texto do relator Aldo Rebelo (PCdoB/SP) que causam maior polêmica giram em torno da dispensa da reserva legal para propriedades com até quatro módulos fiscais - que o governo pressiona para que seja retirado do relatório - e também o que trata da consolidação das Áreas de Preservação Permanente (APPs). Os ruralistas rejeitam que o texto seja modificado nessas questões.
Para Narciso Pissinati, apesar do adiamento da votação, foi a melhor alternativa para que depois o Código não seja vetado no Senado. ''Foi melhor acatar o adiamento para terça e, no final, o Código passe pelo Senado. Nós consideramos que o Aldo Rebelo não vai ceder nos pontos mais polêmicos''.
O ministro Wagner Rossi afirmou que o governo trabalha para dar segurança jurídica aos produtores rurais de todo o País é que até terça-feira todos devem chegar a um acordo em cima dos pontos divergentes. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), considerou bom o adiamento, porque vai possibilitar mais negociações para chegar a um texto que agrade a todos. ''O (Marco) Maia nos garantiu que com ou sem acordo na terça-feira o Código será votado. Temos até o dia 11 de junho para que essa situação se regularize. Caso isso não aconteça, diversos produtores do Paraná vão ficar suscetíveis a levar altas multas porque não averbaram a reserva legal'', concluiu Carla.

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