PR mais perto da exportação de carne
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Oswaldo Petrin 
Paulo WolfgangApoio ao ParanáO ministro Porto entrega cheques do Pronaf Rotativo, durante encerramento, ontem, da Expogranja e Congresso de Aves, Suínos e MilhoO ministro da Agricultura, Arlindo Porto, deu pelo menos quatro boas notícias para a agricultura, ao desembarcar ontem, em Londrina, para participar do encerramento da Expogranja: 1) O Ministério e a Seab iniciam neste semestre os exames sorológicos que vão culminar com a certificação de que o Paraná é área livre de febre aftosa podendo iniciar a exportação de carne, 2) O governo está estudando mecanismos para estender aos médios produtores as mesmas condições de empréstimos (custeio e investimento) que beneficiam o Pronaf, inclusive juros de 6,5%, 3) O processo de securitização, qualquer que seja ele, não pode impedir que os agricultores tenham acesso a novos contratos de financiamento de custeio, 4) O governo não vai liberar tão cedo seus estoques de milho - que são baixos -, mesmo que o preço do mercado do produto ultrapasse o preço mínimo oficial. O ministro prevê preços muito bons para o milho na próxima safra e admite redução de área.
O ministro concedeu entrevista a este jornal no ônibus que o conduziu entre o Aeroporto e o Parque Ney Braga, onde participou do encerramento da Expogranja e do Congresso Brasileiro de Aves, Suínos e Milho. Entre outras autoridades que acompanhavam o ministro estavam o secretário da Agricultura, Hermas Brandão, e o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Luiz Roberto Neme; o delegado da Agricultura, Mário Bezerra Guimarães, além de assessores do ministro e o jornalista João Milanez.
Durante a cerimônia de encerramento da Expogranja, o ministro entregou chegues do Pronaf para os produtores Virgílio Zani e Sebastião Santiago, de Bandeirantes; Manoel S. Gonçalves, de Bela Vista do Paraíso; Milton Brissi, de Jataizinho e Levina Aparecida Alves, de Londrina. Eles estavam acompanhados do superintendente do BB, Altino Ramos.
Ao discursar na Sociedade Rural, Luiz Roberto Neme expressou duas grandes preocupações do setor: a insegurança dos produtores, diante das invasões de suas propriedades pelo MST, e a prorrogação da primeira parcela da dívida securitizada que começa a vencer no próximo mês. Os discursos do secretário Hermas Brandão e do deputado federal Abelardo Lupion foram no mesmo tão, enfocando o perigo iminente que ameaça das propriedades rurais. No pavilhão da Expogranja o ministro conversou com praticamente todos os expositores.
Aftosa Os exames sorológicos serão concluídos este ano e encaminhados ao Instituto Internacional de Epizootia, na França. No início do ano que vem o Paraná já pode exportar para a União Européia, sob algumas condições, até que terá aval para exportar definitivamente. O ministro disse que os exames serão acompanhados pela Organização Pan-Americana de Febre Aftosa. O ministro disse que os recursos repassados ao Paraná esta semana, no valor de R$ 7 milhões, poderão ser ampliados, apesar do Paraná ter recebido maior parcela. Recebeu mais do que o meu Estado, Minas Gerais - brincou o ministro, acrescentando que isto expressa o reconhecimento do governo federal ao esforço da Secretaria da Agricultura do Paraná no sentido de melhorar a sanidade do rebanho.
Sobre os exames, o secretário Hermas Brandão informou que serão feitos 17 mil exames sorológico em todo o Estado. Tanto o ministro como o secretário informaram que o Paraná vai ampliar sua rede de laboratórios e fortalecer as barreiras sanitárias para disciplinar o trânsito de animais. Hermas Brandão informou também que o Estado está providenciando a contratação de 140 profissionais para atuar na campanha: 100 médicos-veterinários e 40 engenheiros agrônomos e zootecnistas.
Consumidor Ao melhorar as condições sanitárias e preencher as exigências para exportar, a pecuária paranaense também estará melhorando o padrão da carne para o nosso consumidor interno, disse o Hermas.
Com a ampliação do quadro de técnicos, a Secretaria vai dar apoio ao esforço para melhorar as condições de abate em municípios menores, inclusive reduzir com o número de abates clandestinos. Ao conquistar o comércio exterior, o Estado só tem a ganhar com a arroba da carne bovina em torno de US$ 40.
O Pronaf rotativo que o governo lançou esta semana (e que no Banco do Brasil ganhou o nome de BB Rural Rápido) é um cheque especial para os produtores enquadrados no Pronaf. Serão beneficiados especialmente aqueles agricultores que moram e produzem em uma propriedade de até quatro módulos fiscais, empregando no máximo dois trabalhadores permanentes e cuja renda bruta resulte da atividade agrícola, em pelo menos 80%. Mas nós vamos flexibilizar e ampliar o número de agricultores beneficiados até chegar ao médio produtor, disse Porto.
Quem se enquadrar no Pronaf rotativo terá direito a um limite de financiamento de até R$ 5 mil, na modalidade de crédito rotativo, com juros de 6,5% ao ano no crédito para custeio da safra. Na entrevista este jornal, Porto explicou que dependendo da forma que o agricultor administrar este dinheiro a taxa média de juros poderá ser ainda menor.
No caso de investimentos, o limite será de R$ 15 mil, a um custo de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 6%, com 50% de rebate. O contrato com o banco será válido por dois anos, prorrogável por mais cinco anos.
O Pronaf Rotativo poderá ser utilizado para o custeio agrícola e pecuário, pequenos investimentos e até para a manutenção do beneficiário e sua família. Para ter direito ao financiamento, o agricultor terá que comprovar que sua renda bruta anual é de, no máximo, R$ 27,5 mil. Para produtores que se dedicarem à piscicultura, avicultura, olericultura, sericicultura e suinocultura, o limite de renda bruta anual é R$ 55 mil.


