Muito antes da polêmica em torno dos transgênicos, cooperativas e empresas que trabalham com recebimento e venda de soja no Paraná, já vem utilizando testes, feitos a campo ou no momento do recebimento do produto, para identificar possíveis misturas e contaminações de Organismos Geneticamente Modificados (OGM).
Algumas cooperativas utilizam o processo desde 1999 como forma de controle de qualidade do que o seu associado está produzindo. O teste mais simples, que pode ser feito a campo ou por amostra em laboratório, é o chamado teste da fita.
Há os testes Elisa ou PCR, feitos somente em laboratório, que quantificam a presença de OGM no produto analisado. No Paraná algums laboratórios estão credenciados para fazer o teste da fita e emitir laudos de certificação. Há também estrutura para os testes mais complexos que, além da presença, indicam quantidade de organismos modificados.
Por conta da exigência de diferenciar soja convencional de transgênica, em 2003 o Estado foi líder no uso dos kits de identificação. Uma das empresas que atuam neste mercado, a Gehaka, fornecedora de equipamentos no segmento da agricultura para o controle e avaliação da qualidade dos grãos, vendeu mais de 5 mil kits no Paraná.
''Das vendas totais da empresa - 1,3 milhão de testes em 2003, o Paraná absorveu 24% e foi o Estado que mais consumiu testes de identificação de transgênicos'', afirma a gerente da empresa Fabiola Franco.
''O Estado que já era cauteloso com a certificação da safra de soja pretende neste ano acentuar a identificação de transgênicos. Com essa tendência esperamos aumentar as vendas de testes de 10 a 15 % no Paraná,'' garante.
Segundo a gerente, clientes como processadoras de grãos, cooperativas e tradings, que antes não identificavam a safra, chegam a pedir hoje cerca de 150 kits.
Os testes para identificação de produtos geneticamente modificados chegaram ao mercado em 1999. De acordo com Fabiola Franco eles foram desenvolvidos para atender a demanda na detecção de alimentos transgênicos e assim garantir a segurança alimentar.
Segundo Alvir Jacob, do departamento de defesa vegetal da Secretaria de Agricultura do Paraná, o fato do cooperativismo estar bem desenvolvido no Estado faz com que os grandes consumidores dos kits de identificação sejam as cooperativas, muitas das quais se antecipando a atual tendência e implantando o controle de qualidade e análises de seus produtos há bastante tempo.
O processo é rápido, simples e o próprio produtor pode pegar uma amostra de sua produção no campo e aplicar o teste em tiras nas sementes, nas folhas e nos grãos de soja,'' ensina Jacob. Para certificar e obter um laudo, no entanto, o processo continua em laboratório. O Estado, segundo Jacob, tem mais de 10 laboratórios credenciados.

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