O número de consumidores que migraram para o Mercado Livre de Energia no Brasil manteve ritmo acelerado no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Mais de 13,8 mil unidades consumidoras aderiram ao ACL (Ambiente de Contratação Livre) entre janeiro e junho, o que representa um avanço de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Paraná registrou o crescimento mais expressivo do país: as adesões aumentaram 135% em comparação com o primeiro semestre de 2024. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também apresentaram altas relevantes. Já em números absolutos, São Paulo liderou, com 4.129 novas conexões ao mercado livre, seguido pelo Paraná (1.562); e Minas Gerais (1.181).

O estudo da CCEE mostra ainda que a expansão não está restrita aos grandes centros urbanos. Estados como Amazonas, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso tiveram forte movimento de migração, evidenciando que o ACL tem se consolidado como uma realidade nacional.

Em entrevistas ao site da CCEE, Gerusa Côrtes, vice-presidente do Conselho de Administração da instituição, costuma destacar que o consumidor deve estar no centro da transição energética. “Só podemos falar de transição energética justa, se colocarmos o consumidor como figura central”, afirmou. Segundo ela, o desenho regulatório brasileiro, desenvolvido desde a década de 1990 e aprimorado ao longo dos anos, ainda exige cuidado para que a expansão do mercado livre ocorra de forma eficiente, sustentável e segura.

A CCEE registrou, em todo o país, um total de 77.993 unidades consumidoras até junho de 2025, um aumento significativo em comparação com os 48.910 registrados em janeiro de 2024. A expansão geral do mercado tem sido notável, com um destaque para o crescimento no consumo mensal. Para o segundo semestre de 2025, a CCEE projeta mais crescimento, com a previsão de entrada de 6.207 novos consumidores até dezembro, indicando que a tendência de expansão do mercado livre de energia deve continuar forte

Com a abertura para todos os consumidores da alta tensão, em janeiro de 2024, o mercado livre de energia elétrica vem crescendo em ritmo intenso. Porém, o varejo e os pequenos consumidores têm sido os principais motores dessa expansão. As migrações representadas por agentes varejistas cresceram exponencialmente, atingindo 11.250 unidades em 2025, um salto de +1.614,4% em comparação com 2023.

Os consumidores com menor carga (0 a 0,1 MW) dominaram as migrações, representando 50% do total em 2025, contra 25% em 2023. Consequentemente, a carga média dos consumidores que migraram diminuiu em 66,1%, passando de 790 kW em 2023 para 212,5 kW em 2025, evidenciando a democratização do acesso ao mercado livre.

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O mercado também testemunhou um crescimento notável na adesão de pessoas físicas, com 223 migrações por CPF em 2025, um aumento de 90,6% em relação a 2024. Minas Gerais se destacou como o estado com o maior número de migrações de pessoas físicas, registrando 42 unidades em 2025.

Entre as principais empresas do país que atendem os consumidores do Mercado Livre de Energia está a Copel. A antiga estatal paranaense, além de atuar na distribuição, também ingressou no mercado livre por meio de sua divisão de geração e comercialização, tornando-se um dos principais players do setor.

Setores que mais migraram

No recorte por segmentos econômicos, o setor de serviços puxou a fila, com mais de 4,4 mil novas adesões no semestre – crescimento de 64% sobre o ano anterior. Também tiveram destaque os setores comercial, alimentício, de saneamento e de metalurgia.

O que é o Mercado Livre de Energia

O Mercado Livre de Energia, oficialmente chamado de Ambiente de Contratação Livre (ACL), permite que consumidores escolham de quem comprar energia elétrica, negociando preço, prazo e quantidade diretamente com geradores e comercializadoras. Diferentemente do mercado cativo, em que a compra é feita obrigatoriamente das distribuidoras locais, no ACL o consumidor tem liberdade para buscar contratos mais vantajosos, reduzindo custos e ampliando a previsibilidade do gasto com eletricidade.

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