PR lidera, com SP e MG, qualificação profissional no País
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
São Paulo, Paraná e Minas Gerais são os três estados que, segundo avaliação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), estão liderando no Brasil processos de qualificação profissional e, por isso, devem obter mais facilidades de financiamento do banco para seus projetos. Os estados do Nordeste estão no outro extremo da avaliação, com os menores índices de capacitação da mão-de-obra, segundo afirmou ontem o chefe da Divisão de Programas Sociais do BID, Cláudio Moura e Castro.
Não adianta nada o banco investir no Nordeste, que ainda não despertou para a necessidade da educação e não botou um centavo neste setor, disse Castro durante o fórum nacional Educação, Força de Trabalho e Competitividade, realizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Apesar do baixo nível de escolaridade do trabalhador brasileiro - quatro anos em média, segundo lembrou o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza - o BID concluiu que nos últimos cinco anos o País tem registrado significativos progressos no setor. A educação técnica que nos interessa é a que forma a mão-de-obra que ainda não existe, afirmou o executivo do BID, dizendo que o ensino de primeiro e segundo graus brasileiro começa a despertar, depois de uma sesta de quase três décadas.
Durante o encontro, o ministro do Trabalho, Paulo Paiva, informou que este ano o Programa de Qualificação Profissional deve treinar de 1,5 milhão a 1,6 milhão de trabalhadores. O programa é mantido pela CNI, em parceria com o ministério, para treinamento de trabalhadores desempregados e tem o objetivo de arranjar para eles nova colocação.
Segundo o ministro, em 1995, primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso, o programa requalificou 175 mil trabalhadores e, no ano seguinte, 1,2 milhão. Mesmo assim, o governo ainda não conseguiu ampliar de maneira substancial o nível de escolaridade da massa trabalhadora: segundo dados do Ministério da Educação, 15% dos trabalhadores até 15 anos são analfabetos. Na faixa dos 15 aos 19 anos a margem é mais reduzida: 6% de analfabetismo.
O trabalho infantil, como lembrou o diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Heiguiberto Guiba Della Bella Navarro, também é alto: 4,5 milhões de crianças brasileiras já estão inseridas no mercado de trabalho informal. O Brasil começa a descobrir agora que a educação é vital e que, sem isso, de nada adiantam programas econômicos, disse Castro, do BID.


