PR insiste em ser área livre
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de fevereiro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governo do Estado vai continuar tentando junto ao governo federal que o Paraná seja considerado como área livre de transgênicos, apesar do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ter afirmado em Cascavel, anteontem, que o Estado não poderia mais ter essa condição, em função do número de agricultores paranaenses que assinaram termo de compromisso junto ao ministério para obter autorização para plantio e a comercialização do produto na safra 2004/05.
Um dos argumentos que o governo estadual utilizará é justamente a baixa adesão dos agricultores. ''Vamos mostrar que a área onde haverá o plantio de transgênicos é muito pequena e que temos possibilidade de fazer o rastreamento dessas lavouras'', disse o secretário de Agricultura, Orlando Pessuti, ontem de manhã, após a reunião semanal do secretariado com o governador.
Pessuti lembrou, ainda, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, assumiram o compromisso de ajudar o Paraná ''nessa luta''. ''Acredito que Lula possa tomar essa decisão oportunamente'', afirmou.
O governo estadual estima que, dos 100 mil produtores de soja no Estado, cerca de 1,5 mil assinaram o Termo de Compromisso, Responsabilidade e Ajustamento de Conduta (TCRAC), o equivalente a apenas 0,5% da área de soja plantada no Estado, uma vez que a maioria possui pequenas propriedades.
''Os agricultores do Paraná não caíram na esparrela da Monsanto e do Ministério da Agricultura, o que é muito bom. Mostra que eles são inteligentes', disse o governador Roberto Requião (PMDB), lembrando que a produtividade média da soja tradicional no Paraná é de três mil toneladas por hectare, contra 1,8 mil ton/ha da soja transgênica no Rio Grande do Sul.
Pessuti garantiu, ainda, que o Estado tem capacidade para fiscalizar a soja produzida, por meio de barreiras fixas, móveis e ação de fiscais. A secretaria, segundo ele, está contratando mais 100 técnicos e até dia 15 receberá mais 70 a 80 veículos para o trabalho. Também continua em vigor a determinação do governo proibindo a exportação da soja geneticamente modificada pelo Porto de Paranaguá.


