Curitiba A crise na agricultura paranaense por conta da estiagem poderá trazer ao Paraná um prejuízo de R$ 12 bilhões. O cálculo foi feito ontem pelo vice-governador e secretário de Estado de Agricultura, Orlando Pessuti, durante a reunião semanal do secretariado. De acordo com os dados apresentados por Pessuti, a agricultura teve quebra de 7 milhões de toneladas na safra de grãos prevista para 2004/2005. Os agricultores teriam deixado de recolher em receita, apenas com os valores da quebra de safra, cerca de R$ 2,5 bilhões.
A crise no setor estaria ainda sendo agravada com os valores para a compra da saca de soja, milho, trigo, algodão e até mesmo da arroba do boi. Do ano passado para cá, as variações nos preços foram negativas em até 65%. A variação dos preços internacionais estaria colaborando para agravar a crise nacional. ''Infelizmente estamos vivendo tempos de crise na agricultura. Mas estamos nos empenhando para ajudar os agricultores, proporcionando a possibilidade de tentar uma renegociação de dívidas com o governo federal para evitar que eles percam suas terras'', ponderou Pessuti.
O governador Roberto Requião se irritou ao saber que os preços internacionais dos grãos estavam fazendo com que os agricultores perdessem ainda mais rentabilidade no campo, aumentando e agravando os prejuízos. Ele aproveitou para fazer um apelo ao governo federal e aos políticos brasileiros que deixem de incentivar o agronegócio que beneficiaria apenas cinco grandes multinacionais que comercializariam grãos nos Estados Unidos e Europa e passassem a se preocupar mais com as culturas internas.
''Não podemos ser um País que produz apenas trigo, milho e soja. Senão, daqui a pouco teremos que viver apenas de tortas destes três produtos enquanto esquecemos das nossas riquezas nacionais. Não podemos virar um País da monocultura ou ficaremos nas mãos das multinacionais que estabelecem preços inacessíveis para os produtores rurais. Eles (os produtores) não conseguem sobreviver, se não for por uma política de soberania alimentar'', defendeu Requião. O governador aposta na retomada da produção de tubérculos e culturas como café. ''Temos que apostar na diversidade. Não podemos ser escravizados. Somente a soberania alimentar poderá nos dar uma melhoria econômica. Não só para o País, mas também para os pequenos produtores paranaenses'', ponderou.

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