A produção industrial do Paraná fechou o ano de 2014 com queda de 5,5%, recuo maior que a média nacional que foi de 3,2%. O Estado teve o segundo pior desempenho do ano e só perdeu para São Paulo que registrou queda de 6,2% na produção da indústria. Em dezembro na comparação com novembro, o tombo da indústria paranaense foi de 0,5% e, em dezembro em relação ao mesmo mês de 2014 houve crescimento de 3,7%. No País, houve queda em dez dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado só foi positivo em dezembro porque o setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis cresceu 59,8%, impulsionado não só pela maior produção de óleo diesel, óleos combustíveis e gasolina automotiva, mas também pela baixa base de comparação, uma vez que essa atividade apontou queda de 46,8% em dezembro de 2013, explicada, sobretudo, por uma paralisação ocorrida na Repar de Araucária em virtude de um princípio de incêndio.
O principal impacto negativo no ano veio do setor de veículos automotores (-20,6%). Outros segmentos que fecharam o ano com queda foram produtos alimentícios (-6,1%), máquinas e equipamentos (-12,9%) e móveis (-7,4%). No entanto, a contribuição positiva mais relevante ficou com o setor de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (3,8%).
Apesar do resultado negativo em 2014, o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, destacou que a queda de 5,5% registrada de janeiro a dezembro já é menor do que a do período acumulado de janeiro a novembro que tinha ficado em 6,2%. Segundo ele, isso mostra que "o fundo do poço da indústria foi superado". Ele disse que pode estar ocorrendo um início de recuperação da atividade industrial.
Segundo ele, em 2014, além de todas as dificuldades que o setor de veículos apresentou durante o ano, houve uma queda acentuada das exportações do Paraná para a Argentina. O setor de móveis, de acordo com ele, foi afetado pelas restrições na concessão de crédito.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas, Nelson Poliseli, disse que o setor teve queda de 3% nas vendas em 2014 e que não tem conseguido repassar preços para o consumidor final. Segundo ele, o segmento vem sofrendo com custos elevados de diesel, de logística, além do endividamento da população e a alta carga tributária. Além disso, o setor também foi prejudicado pelas restrições maiores ao crédito. Segundo ele, o setor ainda não teve que demitir no ano passado. O segmento emprega 12 mil funcionários em 160 indústrias no polo de Arapongas e tem um faturamento anual bruto de R$ 2 bilhões. Ele comentou ainda que o setor vem segurando investimentos e não prevê um ano fácil para 2015.
Zurcher prevê um 2015 difícil, mas espera que aos poucos a boa safra 2014/15 faça a economia do Paraná ter uma velocidade de recuperação mais rápida que no resto do País. O coordenador do curso de Ciências Econômicas da PUC-PR, Carlos Magno Bittencourt, disse que a indústria do Paraná tem contribuído de forma negativa para o cenário nacional. Ele acredita que neste ano, a capacidade instalada não será ampliada, os investimentos devem ser poucos e ainda podem ocorrer novas demissões.

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