PR faz 1º motor diesel/i.e. do Brasil
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Da Redação 
VolvoA fábrica da Volvo na Cidade Industrial de Curitiba: mais investimentos, mais produção e novos produtosA partir da próxima semana o Paraná entra para a história da indústria automobilística brasileira. A nova fábrica da Detroit do Brasil na Cidade Industrial de Curitiba começará a produzir os primeiros motores diesel com injeção eletrônica fabricados no Brasil. A informação foi dada ontem à Folha pela Secretaria de Estado da Indústria e Comércio. A Detroit é um gigante mundial do setor de componentes e autopeças da indústria automotiva e é uma das empresas que o Governo do Paraná atraiu para o Estado através de seu programa de industrialização.
O programa envolve, até o momento, quase cem empresas dos mais diversos ramos de atividade industrial. De automóvel de luxo a carpetes sofisticados, de utilitários e caminhões a embalagens para fast food, de leite longa vida a painéis de madeira aglomerada, de comida congelada e embalagens recicladas, de fios de acetato a tampas de perfumes, o Paraná vai montando seu parque industrial.
RenaultClios da Renault: R$ 1 bilhão em investimentos no Paraná
Em pouco tempo o perfil do Estado será outro. Cerca de 9 bilhões de dólares estão sendo investidos neste e nos próximos dois anos. Eles vão gerar cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos e aumentarão a arrecadação dos municípios via ICMS. O pagamento desse imposto pelas novas indústrias terá carência opcional de quatro anos. A partir do quadragésimo nono mês começa a ser pago, acumulado com o antigo corrigido monetariamente.
Para atrair esses investimentos o Paraná se valeu de sua posição estratégica em relação aos países do Mercosul, sua infra-estrutura (rodovias, ferrovias, porto próximo à capital, aeroporto internacional, telefonia, energia), disponibilidade de mão de obra e qualidade de vida.
Dois tipos de indústrias vieram para o Estado. No primeiro grupo estão as montadoras de veículos e, como consequência, as fábricas de autopeças, que estão se estabelecendo nos municípios próximos à capital. No segundo grupo estão as indústrias que garantem a diversificação da produção e se espalharam por várias regiões do Estado, como as fábricas de laticínios, congelados, bebidas, papéis, madeira, refrigerantes, café, tecidos, embalagens etc.
No total serão gerados 73 mil empregos diretos e 407 mil indiretos, incluindo-se a preparação da infra-estrutura pública necessária. A maioria dos investimentos está em fase de obras, e muitos, devido à magnitude do empreendimento, só estarão funcionando dentro de um ou dois anos. Todos, porém, já começam a gerar empregos.
Volks/AudiObras da fábrica da Volkswagen/Audi em São José dos Pinhais: em setembro já começa a fase de edificações
A Folha preparou, nesta e na página ao lado, o seguinte balanço da situação atual dessas obras, algumas já concluídas e em operação:
As montadoras - Mais de R$ 3 bilhões em investimentos industriais no Estado são de responsabilidade de montadoras de veículos e das fábricas de autopeças. Juntas, elas transformarão o Paraná no segundo pólo automobilístico do Brasil e garantirão mais de 8 mil empregos diretos e 44 mil indiretos. Outras fábricas de autopeças estão para vir: no momento, participam de concorrências das montadoras ou buscam negociações para se instalarem no Estado.
Cerca de 500 pessoas estão trabalhando no canteiro de obras da Renault e esse número deve dobrar para mil operários até o final do ano. A Renault é a empresa que está com as obras mais adiantadas, já tendo terminado as fundações e iniciado a construção de três prédios - o das carrocerias, o da pintura e o da montagem. Os dois primeiros estão com 100% da estrutura pronta e o terceiro com 40%.
Fotos: DivulgaçãoChrysler/BMWTerreno da fábrica da Chrysler em Campo Largo, onde produzirá o Dakota e também motores BMW
O cronograma das obras está se desenvolvendo dentro dos prazos previstos, informa Pierre Poupel, diretor-presidente da Renault do Brasil Automóveis.
A montadora francesa trabalhará no sistema just in time, no qual os principais fornecedores produzem instalados no terreno da fábrica. No caso da Renault serão cinco empresas. Uma é a francesa Bertrand Faure, que possui 50 fábricas em 14 países e tem 14 mil empregados, é líder européia na fabricação de bancos para automóveis e tradicional parceira da montadora na França, Espanha e Turquia. Fornecerá os bancos do Megane, que será produzido no Brasil a partir de 1999. A Bertrand também está montando uma fábrica de estruturas metálicas em Quatro Barras, onde está investindo R$ 6,1 milhões, gerando 95 empregos diretos e 50 indiretos.
Outra empresa que funcionará dentro da Renault é a Ecia, fabricante de escapamentos. A montadora está estudando propostas de outras indústrias na área de painéis, suspensão e rodas para fazerem parte do sistema, mas até agora não optou por nenhuma.
Primeira montadora a vir para o Paraná - assinou protocolo de intenções em 29 de março de 1996 -, a Renault investe cerca de US$ 1 bilhão na construção de sua fábrica em São José dos Pinhais e gerará dois mil empregos diretos, para uma produção inicial de 30 mil veículos em 1998. Passada essa fase, a produção saltará para 120 veículos/ano, em 1999.
Também dentro do cronograma está a alemã Volkswagen/Audi. Já começamos a movimentação de terras - que compreende a terraplanagem, a preparação e execução da drenagem e a preparação para as fundações. Agora em setembro começamos a fase de edificações, explica Geraldo Negri Rangel, coordenador do Projeto Curitiba da empresa.
No pico da obra, a Volskwagen/Audi estará empregando três mil operários. No próximo mês já inicia a construção das paredes, telhados e coberturas, que deverão estar concluídas em agosto do próximo ano. Quatro meses depois, em dezembro, a montadora iniciará sua produção.
A proposta inicial da Volskwagen/Audi, ao assinar o protocolo de intenções com o Governo, em 10 de dezembro de 1996, era para produzir apenas o Audi A3. Mas depois incluiu o Vento e, mais recentemente, o Passat. Por isso, foram ampliadas as linhas de montagem e de carrocerias. Na primeira fase de operação a empresa produzirá 140 mil veículos/ano. Para tanto, a Volskwagen/Audi está investindo cerca de R$ 750 milhões em sua fábrica em São José dos Pinhais, na região conhecida como Campo do Assobio, ocupando uma área de dois milhões de metros quadrados. Quando entrar em funcionamento, em dezembro do próximo ano, estará empregando duas mil pessoas.
A Chrysler Corporation fará dois investimentos no Paraná, ambos em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, próximo à bifurcação do trecho para Ponta Grossa. Em uma área de um milhão de metros quadrados iniciou a construção da fábrica que produzirá o utilitário Dakota. E numa joint-venture com a BMW AG, produzirá motores para o mercado externo.
No final de julho a Chrysler recebeu a aprovação do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), requisito básico para o início das obras, e começou os serviços de terraplanagem. Segundo Luiz Fernando Beréia, diretor de Relações Governamentais, dos R$ 315 milhões que a empresa está investindo, R$ 100 milhões serão gastos nas obras de construção civil. Ainda no segundo semestre de 98 a Chrysler começa a produzir cerca de 12 mil Dodge Dakota/ano, podendo alcançar a marca de 40 mil carros/ano, dependendo do mercado. O quadro de pessoal marca 400 empregos diretos na primeira fase, aumentando gradativamente com a produção.
A fábrica da Chrysler Corporation e BMW AG, ocupará uma área de 1,4 milhão de metros quadrados, gerará 1.200 empregos diretos e consumirá investimentos de US$ 500 milhões. O cronograma prevê a conclusão da fábrica e o início de seu funcionamento para 1999. E quando atingir sua capacidade total produzirá 400 mil motores/ano exclusivamente para o mercado externo.
No final de outubro, quando completa 20 anos de Brasil, a Volvo pretende inaugurar sua nova fábrica de cabines para caminhões pesados, como parte do projeto Volvo, onde está investindo R$ 209 milhões. Mas os investimentos incluem ainda R$ 185,56 milhões que serão aplicados na modernização do setor de fabricação de veículos e motores. Na primeira fase, o projeto Volvo gerará 170 empregos diretos e 600 indiretos.
A unidade de fabricação de cabines funcionará junto à fábrica da empresa, na Cidade Industrial de Curitiba. Ali será montado o caminhão FH Globetrotter, usado para o transporte de carga seca, a velocidade média elevada. Até agora ele era importado da Suécia, de onde foram trazidas mil unidades nos últimos três anos.
A produção nacional do FH Globetrotter exigiu a ampliação da linha de montagem e da fábrica de motores, além da compra de máquinas e equipamentos mais modernos e treinamento especial para os operários. Na primeira fase serão produzidas 25 cabines por turno. Dependendo das respostas do mercado, a Volvo está preparada para a introdução de mais um turno de produção.
As Autopeças - Os carros só são carros porque têm rodas, chassis, suspensão, eixos, amortecedores, motores, etc. Tudo fabricado pelas indústrias de autopeças. São elas que dão vida aos projetos encomendados pelas montadoras. No programa de industrialização do Paraná a indústria de autopeças está presente nos bancos da Bertrand Faure e nos escapamentos da Ecia, produzidos especialmente para a Renault, e também nas fábricas independentes, como Bosch, Dana, Siemens e Detroit Diesel Corporation, produzindo para montadoras no Brasil e no exterior.
A partir da semana que vem o Brasil começa a produzir o seu primeiro motor a diesel com injeção eletrônica, fabricado pela Detroit do Brasil na Cidade Industrial de Curitiba. Até dezembro já serão 800 unidades. O modelo é o turbotronic 425 diesel, de última geração, com alta rotação, 4 cilindros e 2,5 litros. Esses motores irão equipar o jipe argentino Cherokee e o utilitário Dakota, ambos da Chrysler.
A rapidez no início da produção dos motores da Detroit só foi possível porque a empresa adquiriu um galpão de 6,3 mil metros quadrados já pronto, numa área de 30 mil metros quadrados da CIC. E realizou apenas reformas para adequá-lo às suas necessidades. O investimento inicial é de US$ 130 milhões mais uma reserva de US$ 90 milhões a serem aplicados de acordo com a resposta do mercado. Como a Detroit utiliza tecnologia e processo de produção muito avançados, 30 dos seus 186 empregados são altamente especializados e receberam treinamento específico. A fábrica da Detroit gera também 540 empregos indiretos e fixou como meta a produção de 56 mil unidades por ano.
A Detroit do Brasil faz parte do grupo americano Penske, fundado e dirigido por Roger S. Penske, figura destacada no circuito de Fórmula Indy. A indústria fatura US$ 4 bilhões por ano, emprega 25 mil pessoas e tem 1,8 mil fábricas espalhadas pelo mundo.
Outro gigante do mundo das autopeças, a Dana Indústrias Ltda, maior empresa do ramo na América Latina, está investindo R$ 14 milhões em sua fábrica em Campo Largo. Em uma área de seis mil metros quadrados ela fabricará peças de suspensão e chassis diferenciados, que já são entregues com eixos, amortecedores e rodas. Eles farão parte do utilitário Dakota. Serão 40 mil chassis/ano e 40 empregos diretos.
A Dana tem sede em Ohio, nos Estados Unidos, foi fundada em 1904, atua em 29 países com 45 mil funcionários e possui 48 centros de desenvolvimento tecnológico em todo o mundo. É considerada a terceira maior empresa do mundo no ramo de autopeças. No Brasil tem fábricas em Sorocaba, Taubaté e Osasco (SP) e em Gravataí, Porto Alegre, Cachoeirinha e Charqueadas (RS).
A Siemens Automotive está investindo US$ 20 milhões em sua fábrica em Irati para produzir chicotes elétricos para as montadoras de São Paulo, Paraná e Argentina. A fábrica ocupará uma área de 50 mil metros quadrados, com pouco mais de 10 mil de área construída, dividida em duas etapas. A primeira será concluída em 20 de dezembro deste ano, um barracão de 5,4 mil metros quadrados. Em janeiro começa a segunda fase, a construção de 5 mil metros quadrados que estará funcionando em junho de 98.
A produção dos chicotes elétricos começa em dezembro de 97 e em julho de 98 atingirá sua produção máxima. Para tanto, a Siemens contratou mil empregados diretos, sendo 80% de mão de obra feminina. O total significa 1,82% da população de Irati, que é de 55 mil habitantes.
O trabalho executado pelas 800 mulheres contratadas pela Siemens é altamente especializado e exige concentração, dedicação e delicadeza. Por isso elas foram divididas em grupos de 100 e estão recebendo treinamento, com duração de seis a oito semanas, dado por técnicos da Siemens, da Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho, pelo Sesi, Sine e Prefeitura de Irati, que também cedeu o barracão para as aulas.
Ainda no setor de autopeças, a Bosch, uma das maiores empresas da Cidade Industrial de Curitiba, está expandindo sua fábrica e gerará 630 novos empregos diretos. A Bosch ainda não tem nenhum contrato de exclusividade e está se preparando para a disputa de mercado.


