Preços baixos para as principais culturas e real cada vez mais valorizado em comparação ao dólar. Segundo a economista Gilda Bozza Borges, do Departamento Técnico-Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), estas são as duas principais razões para o agronegócio paranaense ter faturado 20% menos com as exportações de janeiro a setembro deste ano. As vendas externas caíram de US$ 5,09 bilhões para US$ 4,09 bilhões. Em consequência, a participação deste segmento nas exportações totais do Paraná reduziu de 69% para 55%. Para agravar a situação, também foi menor o volume vendido ao exterior.
A economista, ao considerar o dólar médio no período analisado e convertido em real, estima perda de R$ 4,9 bilhões na renda do agronegócio estadual. Ainda bem que o problema foi amenizado pelas exportações totais e por conta do desempenho positivo dos setores de material de transporte, açúcar, carnes (aves, suínos) e café. Neste caso, as perdas diminuem para R$ 3,4 bilhões.
Queda e reflexos - De qualquer forma, de acordo com a Faep, não há como negar que o Paraná caiu para 14% na participação das exportações do agronegócio brasileiro (US$ 32,4 bilhões) contra 17% em igual período de 2004 (US$ 29,8 bilhões).
Mesmo assim, saltou para o segundo lugar no ranking dos principais Estados exportadores neste segmento. Perde apenas para São Paulo.
A receita gerada nos primeiros nove meses de 2005 foi impulsionada pelas exportações do complexo material de transporte, o qual faturou US$ 1,98 bilhão. Crescimento de 61% em relação ao mesmo período de 2004 (US$ 1,23 bilhão). Assim, este setor assumiu a liderança dos produtos exportados pelo Paraná, elevando sua participação de 21% (2004) para 27% (2005).
Pior para o principal agregado de cadeia produtiva nas exportações do agronegócio paranaense: o complexo soja - grão, farelo e óleo. Este registra queda de receita de 35%. Caiu de US$ 2,65 bilhões (2004) para US$ 1,72 bilhão (2005). O volume comercializado também diminuiu: de 9,24 para 7,37 milhões de toneladas.
Para Gilda Borges, a redução da renda do complexo soja e seus reflexos no conjunto do agronegócio resultam da combinação do aumento na oferta mundial e da recomposição dos estoques internacionais, impondo pressões baixistas de preços. Para agravar, a taxa de câmbio continua desfavorável às exportações.
O dólar fechou a semana passada, por exemplo, no patamar de R$ 2,16. Para quem exporta, péssimo negócio. Mas, para quem importa ou tem dívidas atreladas à moeda norte-americana, nada mal. Para o agronegócio paranaense, um pesadelo aparentemente sem fim. E com reflexos negativos em todos os segmentos sociais e econômicos do Estado.

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