Considerando a produção de Itaipu que cabe ao Paraná e as das usinas localizadas na divisa com São Paulo, o Paraná exporta 80% da energia elétrica que produz. A informação é do gerente da coordenadoria de estudos do mercado da Copel, Manoel Vicente de Castro. A Copel tem capacidade para produzir 3.340 MW e está construindo a Usina de Salto Caxias, que vai acrescentar 1.240 MW à sua capacidade instalada.
‘‘A questão é que não podemos pensar só em termos de Paraná, que faz parte do sistema Sul/Sudeste/Centro-Oeste’’, ressalta Manoel Vicente. Ele lembra que em 1986 houve déficit de energia no Paraná, devido à falta de chuvas, que foi compensado com o fornecimento por outros estados. As hidrelétricas são fundamentais na geração de energia no Estado, com termelétricas e geradores a diesel tendo importância pouco significativa.
Não bastasse a capacidade instalada para a produção de energia superar o consumo, a Copel é obrigada a comprar 6% da produção de Itaipu, que está na casa dos 3,6 milhões de gigawatts-horas/mês. A sobra de energia é vendida para a Eletrosul, que a repassa a companhias energéticas de outros estados.
O contrato de venda de energia à Eletrosul é negociado anualmente. Caso a previsão do consumo de energia elétrica aumente, como deve acontecer nos próximos anos com a ampliação da base industrial do Paraná, o governo estadual pode reduzir as vendas à Eletrosul para aumentar a disponibilidade interna de energia. ‘‘É estratégia do governo manter o superavit na geração de energia para atrair indústrias’’, diz Manoel Vicente.
Novembro A indústria paranaense aumentou seu gasto de energia elétrica em 4,8% no mês de novembro em relação ao mesmo mês do ano anterior. O aumento do consumo deveu-se ao incremento da produção para atender às encomendas do comércio para o Natal. Mês passado, o consumo total de energia no Estado aumentou 5,5% em relação a novembro de 1995, atingindo 1.150.335 megawatt-hora (MWh).
O aumento do consumo industrial de energia elétrica nos 30 dias do mês de novembro foi liderado pelo segmento de mobiliário (24,2%), seguido por material de transporte (14,5%), madeira (14,3%), metalurgia (13,2%), produtos alimentares (8,1%) e minerais não metálicos (6,6%). Os ramos de refino de petróleo e destilação de álcool; papel, papelão e celulose; química e mecânica registraram em novembro redução no consumo de energia elétrica em relação ao mesmo mês de 1995.
O setor industrial responde por 39,6% do mercado da Copel e seu consumo de energia apresentou crescimento moderado ao longo deste ano. Nos primeiros onze meses de 1996, houve aumento de 2,5% no consumo industrial de energia elétrica, que alcançou 4.916.427 megawatt/hora, contra 4.797.230 megawatt-hora no mesmo período do ano passado.
Na avaliação da Copel, o crescimento do consumo industrial de energia deveu-se à reduzida base de comparação - uma vez que a baixa produção industrial no segundo semestre do ano passado refletiu-se no menor consumo de energia elétrica -, como também à recuperação da atividade industrial.
O consumo total de energia elétrica no Paraná de janeiro a novembro, incluindo também os setores comercial e residencial, alcançou 12.360.020 megawatt-hora, o que representa um crescimento de 6,8% em relação ao mesmo período do ano passado. A maior parte do aumento no gasto de energia, segundo a Copel, deveu-se aos consumidores residenciais e comerciais.
De janeiro a novembro, segundo a companhia, foram ligados 94.904 novos consumidores ao sistema Copel. Este número é 16,7% superior às 81.318 novas ligações feitas no mesmo período de 1995. Em 30 de novembro, o número total de consumidores da Copel era de 2.495.502, 4,4% a mais que na mesma data do ano passado.

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