O prejuízo de mais de R$ 1 bilhão com as geadas e as alternativas para a recuperação da agricultura dominaram os discursos das lideranças paranaenses que ontem participaram da abertura da Agribusiness 2000, em Arapongas. O Secretário de Agricultura, Antônio Poloni, afirmou ser o momento de aprofundar o projeto de ‘reconversão’ de culturas. ‘‘Há países que enfrentam seis meses de gelo e ainda assim se destacam na agricultura mundial. Quatro dias de geadas não irão derrotar o produtor paranaense, mas é oportuno uma mudança de mentalidade para que a reconversão de culturas seja uma realidade no Paraná.’’
A proposta, segundo Poloni, é adequar a atividade agrícola de forma a reduzir os riscos das intempéries. Nesse novo contexto, ele não prevê a eliminação do café, mas a sua adequação como mais uma opção de uma propriedade diversificada. Para o secretário, a Agribusiness ocorre num período oportuno justamente por oferecer alternativas tecnológicas para o homem do campo. ‘‘A industrialização da produção primária é a meta para transformação socioeconômica do meio rural, através da agregação de valores.’’
Levantamento Hoje pela manhã, uma comissão integrada por membros da Secretaria de Agricultura, Ocepar, Faep e delegacia do Ministério da Agricultura, vai a Brasília apresentar ao governo o levantamento dos prejuízos causados pelas geadas. Entre as reivindicações, segundo Poloni, está a renegociação das dívidas dos agricultores, caso a caso, a imediata liberação dos recursos da Plano de Safra 2000, a liberação de crédito especial para quem não tem seguro, e ainda a agilização da perícia para efeito de montagem do processo de seguro.
Para o delegado do Ministério da Agricultura no Estado, José Roberto Borghetti, o governo federal terá que atender às reinvindicações das lideranças do Paraná, com urgência, para impedir que o prejuízo direto de R$ 1 bilhão, provocado pelas geadas, não venha a atingir toda a cadeia do agronegócio. Ele lembrou que o Paraná é responsável por 23% da produção de grãos do País e merece, num momento delicado como esse, toda atenção das autoridades de Brasília.
Borghetti apontou o contraste que existe entre a riqueza produzida pelo setor agrícola e, ao mesmo tempo, o grave empobrecimento do meio rural nos últimos anos. O delegado do Ministério alerta para o risco de aumentar o êxodo rural em decorrência da frustração e das dificuldades que atingem os agricultores. ‘‘O socorro aos produtores não é nenhum favor de parte do governo, mas simplesmente um investimento no Brasil. Até porque devemos afastar o risco do desabastecimento’’, afirmou.

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