PR 'estréia' programa energético
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segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
A Confederação Nacional da Indústria e a Canadian Environment Industry Association (CEIA) iniciam hoje monitoramento em duas empresas paranaenses para analisar gastos com energia e propor ações para redução de emissão de gases poluentes. O trabalho faz parte de um projeto piloto que será aplicado simultaneamente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e que, numa segunda fase, será estendido para São Paulo e Ceará. A intenção é propor para as empresas ações que possam melhorar os seus desempenhos.
As empresas paranaenses que serão monitoradas são a Placas do Paraná, de Curitiba, e a Cooperativa Central Agro-Industrial (Confepar), de Londrina. Nos dois casos, a preocupação se restringe à diminuição do consumo energético, enquanto nos demais Estados a ênfase maior é quanto aos gases lançados no meio ambiente.
A Confepar, por exemplo, tem fábrica de laticínios e poderia reduzir o gasto com energia ao melhorar a eficiência de seus queimadores, ventiladores de secagem e compressores de refrigeração. A modernização de equipamentos e o investimento em cogeração de energia poderiam representar uma economia mensal de R$ 273 mil. Mas para isso seria necessário um investimento de R$ 2,47 milhões.
O diagnóstico preliminar feito na Confepar constatou que a cooperativa tem, gradualmente, substituído seus equipamentos de produção de leite por novos e mais modernos. Uma das linhas de produção foi inteiramente trocada. O gerente administrativo e financeiro da Confepar, Paulo Roberto Martins Pereira, disse que há uma disposição da empresa de investir na redução do gasto com energia, mas primeiro é preciso se certificar que a proposta da CNI e Ceia dará certo. Se tivermos um parceiro para a cogeração, saberemos se é viável, afirmou Pereira.
A Placas do Paraná já demonstrou interesse na formação de parcerias que garantam o suprimento de energia. Hoje ela gasta cerca de R$ 3,36 milhões com energia por ano. Caso substitua motores, conseguiria economizar R$ 14,7 mil por mês. Para conseguir adequar os equipamentos, a Placas do Paraná precisaria investir R$ 624 mil. O retorno do investimento se daria em 3 anos e meio.
O coordenador da Canadian Environment Industry Association, Frederick Day, disse ontem que a indústria brasileira precisa se preocupar com o suprimento energético. No próximo ano o fornecimento de energia vai estar comprometido. É preciso adotar medidas nas empresas, afirmou, durante encontro com empresários, ontem, na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Day ressaltou ainda que os setores chaves da indústria nacional precisam controlar o efeito estufa.
O projeto se concentrará em indústria de médio porte dos setores de processamento de alimentos, plástico, têxtil, cerâmica, madeira, metal-mecânica, autopeças e fundição. As empresas que tenham interesse em entrar no programa terão seus projetos analisados e depois selecionados pela CNI e Ceia.


