Duas montadoras que estão se instalando no Paraná - Renault e Volkswagen/Audi - estão prontas para estrear a produção de veículos com os principais fornecedores instalados dentro da própria fábrica. A Renault utilizará o novo conceito de produção no Brasil a partir da primeira semana de dezembro. E a Volkswagen/Audi começa a operar dia 10 de fevereiro.
Ambas estão instaladas na região metropolitana de Curitiba. E as duas já ostentam porte de grandes fábricas. A Renault é a que tem as obras mais adiantadas. Desde que colocou a primeira estaca, há exatamente um ano, a montadora francesa já tem a sua fábrica praticamente pronta. Parte da linha de montagem funciona e a cabine de pintura já passou pelos primeiros testes de aquecimento.
Mas o que mais impressiona tanto em Renault como na Volkswagen/Audi é a proximidade dos fornecedores. Trata-se de uma estratégia inédita no Brasil, mas que será adotada pela General Motors na sua nova fábrica do Rio Grande do Sul, pela Ford, também no Rio Grande do Sul, e muito provavelmente muitas das próximas fábricas de carros.
Na Renault, dos 105 mil metros quadrados de área construída, 15 mil foram dedicados para quatro fornecedores. São os sistemistas, assim chamados porque entregam as principais partes do automóvel já montadas em conjuntos acabados: Bertrand-Faure (bancos completos), a Vallourec (eixos dianteiros e traseiros) Sommer-Allibert (painéis das portas e cockpit) e ECIA (colunas de direção e escapamentos).
No prédio onde estão os quatro maiores as empresas ficarão separadas apenas por paredes. Mas dividirão áreas de serviços em comum, como restaurante, por exemplo. As peças a serem entregues pelos sistemistas serão levadas por seus próprios empregados até a linha de montagem da Renault, por uma espécie de trilha entre o prédio dos fornecedores e a fábrica dos carros. A Renault tem, por enquanto, 46 fornecedores. Mas a meta é chegar entre 60 e 70. ‘‘Novas empresas estão chegando’’, afirma o diretor-presidente da Renault do Brasil, Pierre Poupel.
A fábrica da Renault, resultado de investimento de US$ 1 bilhão para produzir os automóveis Mégane Scenic e Clio, foi concebida para operar com o dobro da capacidade atual. A Renault do Brasil começará a operar para fazer 120 mil unidades por ano.
Segundo Poupel, os primeiros carros Renault serão produzidos com índice de nacionalização de 50%. A legislação brasileira exige que o conteúdo de peças produzidas no Mercosul nos carros montados no Brasil chegue a 60% após três anos do início da operação. Mas Poupel garante que a empresa estará trabalhando com índice de nacionalização entre 70% e 75% no ano 2000.
Desde janeiro a empresa enviou 80 novos funcionários para estágios na França e Argentina. Para este ano a Renault planeja contratar 300 operários este ano. No total, serão 2 mil empregados. calcula-se que o número de empregos indiretos supere 10 mil.
A fábrica Volkswagen/Audi terá 11 fornecedores dentro do seu próprio parque industrial. ‘‘Trata-se de um projeto diferente de qualquer outro que já temos no Brasil’’, destaca o diretor da fábrica, Nikolaus Feil, também presidente da Audi do Brasil.
Segundo Feil, a principal vantagem de ter os fornecedores tão perto é a redução de custos com logística. ‘‘Queremos um relacionamento de longo prazo com os nossos fornecedores’’, afirma.
Num investimento de US$ 750 milhões essa fábrica fará Audi A3, Golf e Passat. Ao contrário da Renault, a Volkswagen/Audi decidiu fazer a própria estamparia, mas ainda não escolheu o fornecedor de aço. Os motores desses carros serão produzidos na planta de motores Volks de São Carlos.
A fábrica começará a operar com 700 veículos por dia, o que representa uma capacidade de 150 mil a 180 mil por ano. Com três turnos e produção diária de 1.000 unidades, a capacidade anual poderá dobrar. A Volks já contratou 450 funcionários, que já fizeram os primeiros protótipos do A3. A idéia é empregar 3 mil funcionários, 90% da região metropolitana de Curitiba.

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