PR estima R$ 300 mi em negócios com Venezuela
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quarta-feira, 23 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe Folha 
Curitiba - A missão empresarial e governamental que esteve na Venezuela durante a semana passada conseguiu trazer contratos privilegiados para o Paraná. Até segunda-feira, cerca de US$ 115 milhões foram negociados. A expectativa é a de que sejam fechados US$ 300 milhões em acordos, convênios e obras até o final deste mês. Os resultados foram apresentados ontem depois da reunião semanal do secretariado. Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Árdison Akel, os negócios foram variados de venda e compra de bens, conhecimentos e serviços.
Um dos empresários que conseguiu fazer bons negócios foi Edson de Melo Santos, que detém uma empresa do setor de construção civil. Ele fechou um acordo para a construção de 3,8 mil casas populares na Venezuela, num total de US$ 40 milhões. No próximo dia 10 de dezembro, Melo Santos voltará para a Venezuela onde assinará o projeto, apresentará as propostas de casas populares e fechará os negócios já encaminhados.
O empresário Antonio Carlos de Oliveira, do setor de alimentos, fechou dois contratos importantes. O primeiro, de US$ 1 milhão, para o fornecimento de feijão para a Venezuela. O segundo, para a venda de 10 mil toneladas de soja certificada e rastreada para o abastecimento de granjas de peru. ''Estamos felizes com os negócios já encaminhados'', declarou ele.
O secretário de Estado de Indústria e Comércio, Virgílio Moreira, relatou que esta foi a maior missão empresarial e governamental realizada desde o início deste ano. Foram 40 empresas paranaenses, 20 de outros estados e 12 estatais. No campo governamental, foram fechados vários convênios e acordos. A maior parte nas áreas de habitação, assessoria técnica, biotecnologia ambiental, processos contrutivos, assistência técnica e rural.
Com o Porto de Paranaguá, foi assinado um acordo para a criação de uma linha marítima permanente entre o Paraná e a Venezuela. A partir de agora, os três portos venezuelanos irão estar com os berços abertos para o Porto de Paranaguá. ''Isso vai reduzir o tempo de espera e baratear o custo das operações. Com isso, estamos fomentando novas rotas'', disse Eduardo Requião, superintendente da Administração dos Portos de Antonina e Paranaguá (APPA). Dois corredores deverão ser reforçados: o de congelados e o de madeiras.
A partir do ano que vem, as relações com a Venezuela deverão ser reforçadas. A Venezuela irá integrar oficialmente o Mercosul e terá redução tributária nos acordos comerciais e exportações com os países já integrados (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).
Chile e Bolívia são apenas países associados ao Mercosul e não têm os mesmos benefícios tributários. O governador Roberto Requião atribuiu o sucesso da missão empresarial à vontade política do presidente Hugo Chavez, que teria acompanhado de perto todas as negociações. Em março do ano que vem, empresários venezuelanos virão ao Brasil numa reunião com o Conselho de Desenvolvimento dos Estados do Sul (Codesul) e empresários dos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


