Curitiba - As barreiras criadas pelo governo argentino às exportações de eletrodomésticos da linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupas) do Brasil devem afetar pouco o Paraná. Apesar de a Argentina ser o quinto maior pólo de exportações do Estado, esse segmento representou, em 2003, 2,44% do total de exportações. Contudo, se confirmarem as especulações de que o setor automobilístico, entre outros, também vai sofrer restrições, o Estado pode ter problemas. Isso porque a maior parte das vendas para Argentina é de automóveis, representanto 26,6% do total. Isso sem contar as vendas externas de motores e autopeças.
O presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Curitiba (Sindivest), Ardisson Akel, vê com preocupação a decisão da Argentina porque, além de vir contra o espírito do Mercosul, acha que é possível que o mercado argentino pare de comprar do Brasil e procure outros parceiros comerciais, como a China. Akel acha que é possível que a medida se estenda para outros setores. ''Esperamos que eles vejam o prejuízo disso e acabem com as restrições. Não é com protecionismo que se resolve os problemas da indústria argentina'', afirmou.
O presidente da Atlas, uma das maiores empresas do segmento de linha branca do Paraná, Cláudio Petrycoski, diz que os empresários do setor já estão negociando desde janeiro com o governo argentino a questão da barreira. ''Se a sobretaxação continuar, queremos então controlar a entrada de produtos de outros países para que o nosso produto não seja substituído'', argumentou. Petrycoski informou que a Associação Nacional de Eletroeletrônicos (Eletros) vai ter uma nova reunião com representantes argentinos na próxima segunda-feira para continuar a negociação. ''Eles querem aumentar o problema para depois tirar alguma vantagem, como limitação nas vendas ou mais exigências técnicas.''
Além da linha branca, especula-se que o governo argentino possa colocar barreiras para a exportação de automóveis, grãos, produtos têxteis e calçados. No primeiro caso, a principal exportadora é a Renault. A montadora francesa informou que não comenta esse tipo de questão. Já no caso de grãos, os especialistas apostam que dificilmente o boato se confirme. ''Eles vendem muito mais para para o Brasil do que nós compramos deles. Principalmente trigo. Não vejo como sustentável qualquer medida nesse sentido'', explicou o economista do Departamento de Economia Rural (Deral), autarquia da Secretaria de Estado de Agricultura.

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