PR e RS querem mercado 'convencional'
O Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a criar regras para regular o plantio experimental de soja transgênica. Segundo o secretário de Agricultura e do Abastecimento (Seab), Antonio Leonel Poloni, a medida foi adotada para evitar que os testes sejam executados em desacordo com as normas exigidas pela CTNBio. O temor era de que as plantas cultivadas experimentalmente se alastrassem de forma incontrolável, afirmou.
Quanto a ser favorável ou não ao cultivo de plantas modificadas geneticamente, Poloni afirmou que irá acatar as decisões que o Ministério da Agricultura tomar a este respeito. No entanto, o secretário da Agricultura observou que no momento em que o cultivo for liberado, o Estado fará campanhas de esclarecimento sobre a tecnologia junto aos produtores e agroindústrias, para que todos tomem a decisão certa na hora de escolher que tipo de semente cultivar e processar. Mas se houver resistência por parte dos países importadores, nós não vamos estimular o plantio da soja transgênica, afirmou.
Para garantir a manutenção da soja paranaense no mercado externo, a Secretaria de Agricultura já está firmando convênios com a França para capacitar técnicos da Claspar (órgão da Seab responsável pela classificação dos produtos agrícolas colhidos no Paraná) a emitir certificados para a soja não-transgênica. Será uma forma de garantir a participação do Paraná nos mercados que não querem o produto transgênico, afirmou.
Para o secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmam, a liberação do cultivo de transgênico coloca em xeque a soberania do Brasil. Hoffmam afirma que a questão dos transgênicos tem fundo político, ambiental e de saúde. Se a tecnologia fosse para o bem de toda a humanidade, tudo bem, mas a tecnologia trará lucros para poucos, afirmou. O secretário do Rio Grande do Sul, afirmou que as multinacionais têm na mão um grande negócio ao dominar o mercado de sementes.
Hoffmam disse que seria precipitado liberar o cultivo de transgênicos sem que todas as dúvidas em relação à tecnologia não sejam esclarecidas. Enquanto não se tiver todas as respostas, seria uma insanidade liberar o plantio de transgênicos, afirmou.
Assim como o Paraná, o Rio Grande do Sul também conta com uma legislação que regula o plantio experimental de produtos transgênicos, ao exigir a notificação e relatório de impacto ambiental para liberar os testes. Com base nesta legislação, o governo gaúcho já destruiu e interditou lavouras experimentais com arroz, milho e soja transgênica. Hoffmam afirmou ainda que o Estado também tem acordos com países para capacitar técnicos para a emissão de certificado de soja não transgênica.





