Curitiba - O Paraná é a principal porta de entrada de herbicidas contrabandeados da China através do Porto de Paranaguá. As importações dos produtos são feitas pelas indústrias paraguaias que transformam e rotulam as mercadorias que são vendidas dentro do mercado interno, na Argentina e no Brasil. Os herbicidas e defensivos não têm qualquer tipo de fiscalização ou liberação dos ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente e chegam no mercado brasileiro com preços inferiores.
''Os agricultores acabam comprando o produto por ser mais barato e colocam em risco à vida dos trabalhadores do campo, o meio ambiente e os próprios consumidores'', afirmou ontem o vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), José Roberto Da Ros. Uma campanha nacional foi deflagrada há quatro anos para combater o crime de contrabando de agrotóxicos. De maio do ano de 2003 a maio deste ano, foram mais de 3 mil denúncias encaminhadas para a Polícia Federal (PF).
Uma força-tarefa já foi criada para a apuração das denúncias. Além da PF, a força-tarefa conta com as participações da Receita Federal, Ministério Público (MP) federal, governo federal e secretarias de Estado de Agricultura e Abastecimento. ''É um esforço conjunto com o intuito de colocar na cadeia os criminosos e alertar o consumidor final, o agricultor, que ele poderá responder por crime de receptação de mercadoria contrabandeada e por crime ambiental'', informou Da Ros. Estimativas apontam que o mercado paralelo de agrotóxicos movimenta no Brasil cerca de US$ 50 milhões por ano.
Além de ser rota do transporte do produto para o Paraguai e posteriormente para o mercado brasileiro, o Paraná é apontado como principal consumidor dos produtos contrabandeados. ''A cultura da soja utiliza o herbicida contrabandeado. Por onde a soja passa, passam os contrabandistas tentando vender o produto'', alertou. Além do Paraná, Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul seriam potenciais compradores.
Da Ros informou que não existe como fiscalizar a mercadoria na entrada do Brasil, já que a importação é feita por empresas brasileiras. Entretanto, o objetivo da força-tarefa é evitar que os produtos retornem ao País pela fronteira com o Paraguai. Em março deste ano, três pessoas foram presas em Jaciara (MT) por venda e receptação de cerca de 100 quilos de agrotóxicos contrabandeados. No final de 2003 o Sindag divulgou uma campanha mostrando que naquele ano quase duas toneladas de produtos ilegais teriam sido apreendidas no Brasil, com mais de R$ 1 milhão em multas aplicadas.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Agricultura informou ontem que a força-tarefa está atuando em fiscalizações esporádicas no Paraná. Por ser de responsabilidade do governo federal, a autuação e a fiscalização do contrabando, de acordo com a secretaria, seriam funções da própria PF. Em 2003 a PF investigou no Paraná o envolvimento de quase 20 pessoas com o crime de pirataria e contrabando de agrotóxicos. Entre os meses de julho e novembro cerca de 17 cidades foram alvo de ações policiais.
Serviço: Denúncias sobre contrabando de agrotóxicos podem ser feitas pelo telefone 0800.9407030. A ligação é gratuita.

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