O Estado do Paraná foi o quarto com o maior número de empresas abertas no primeiro trimestre de 2016 em comparação com o mesmo período do ano anterior, aponta o Índice Serasa Experian de Nascimento de Empresas. A posição foi fortalecida pela forte expansão da figura do Microempreendedor Individual (MEI), única modalidade de natureza jurídica que teve crescimento em todo o Brasil.
Segundo o índice, foram criadas nos três primeiros meses do ano 33.274 empresas no Paraná, que ficou, em números absolutos, atrás apenas de São Paulo (145.324), Minas Gerais (58.241) e Rio de Janeiro ( 54.641). No Brasil, foram criadas 516.201 empresas no mesmo período, um avanço de 7,5% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior.
O número de novas empresas paranaenses nascidas no primeiro trimestre é 5,2% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior, de acordo com o Serasa. Entre as regiões do Brasil, o Sudeste e o Sul puxaram a alta de nascimento de empresas no País, com avanço, respectivamente, de 6,8% e 4,4%. O Nordeste apresentou queda de 3,9% e o Centro Oeste teve resultado de -3,5%. A Região Norte registrou ligeira queda de 0,6%.
Na avaliação do Diretor Administrativo Financeiro da Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná (Faciap), Edson José de Araújo Filho, o avanço de empresas no Paraná confirma o estado como a quarta maior economia do País, alcançada no ano passado. "Desde o segundo semestre de 2015, já víamos uma melhora na economia paranaense, com um grau de confiança maior dos empresários e do consumidor", diz.
Ainda de acordo com ele, a confiança do consumidor se confirmou no resultado de vendas do Dia das Mães, quando cerca de 60% dos estabelecimentos associados consultados tiveram vendas melhores que o registrado na mesma data em 2015. "O consumidor está trazendo para o mercado aquela reserva que estava com medo de gastar devido à instabilidade econômica", avalia.

Vez do microempreendedor
Se houve crescimento nas empresas no Brasil, o avanço se dá pelo avanço dos MEIs, figura jurídica que passou a existir em 2013 e é caracterizada, inicialmente, pela possibilidade de formalizar o trabalho autônomo, com limite de renda bruta anual de R$ 60 mil – a partir disso, caracteriza-se como Empresa Individual.
Das 516.201 empresas nascidas de janeiro a março, 413.555 são MEIs. O resultado mostra um crescimento jurídico dessa natureza jurídica de 14% em comparação com o primeiro trimestre de 2015.
Também foi a única que teve aumento entre as naturezas jurídicas: o número de empresas individuais criadas no primeiro trimestre de 2016 caiu 13,8%; as Sociedades Limitadas, -16,9%; e as outras naturezas jurídicas, -2,9%.
Edson José de Araújo afirma que, dos 51 mil associados da Faciap, pelo menos 5 mil, ou cerca de 10%, são MEI. "Não chegavam a 2% há dois anos", recorda. Na opinião dele, o aumento do desemprego leva as pessoas ao trabalho autônomo, mas a formalização é tão importante quanto a formação.
Em todo o Paraná, até janeiro deste ano, eram 320.456 MEIs ativos no Paraná, um aumento de quase 5 mil em relação a dezembro passado, segundo a gestora de MEI do Sebrae, Carla Selva. O avanço ano a ano é notável: se, em dezembro de 2013 haviam quase 193,7 mil MEIs ativos no estado, já eram 252,6 mil um ano depois e chegaram a 315,5 mil no ano passado.
Para ela, o crescimento da natureza jurídica não tem a ver essencialmente com crise. As estatísticas do Sebrae mostram que 41,6% dos que recorrem à modalidade têm ensino médio ou técnico completo e 11% concluíram o nível superior. "Começou como um meio alternativo de inclusão, e ainda tem esse papel, mas também é uma opção para quem sonha em ter sua empresa", avalia.

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