No acumulado de janeiro a novembro de 2011, o Paraná ocupou o primeiro lugar em volume de emprego gerado nas indústrias, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o emprego no setor teve crescimento de 5,5% em relação a 2010 - cinco vezes mais que o registrado no País (1,1%). A massa de salários reais, valor referente a folha de pagamento total, descontada a inflação, também cresceu 9,2% no Estado, diante dos 4,3% no Brasil. As horas pagas tiveram incremento de 3,0% em relação ao mesmo período de 2010, enquanto que o número relativo ao Brasil foi de 0,6%.
Em termos de contingente ocupado, o Paraná também registrou a liderança entre os estados brasileiros, mas ocupou a segunda posição em horas trabalhadas, ficando atrás apenas de Pernambuco, e obteve o terceiro lugar na variação da folha de pagamento. Em novembro, o volume de pessoas ocupadas no Estado aumentou 5,3%, contra queda de 0,5% no País. De acordo com o diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Lourenço, os números confirmam outros indicadores positivos que o Paraná já havia apresentado ao longo de 2011.
Para Lourenço, o bom desempenho é resultado de três fatores principais. O primeiro deles é a resistência dos empresários da indústria paranaense diante das medidas de austeridade empregadas pelo Governo Federal entre o final de 2010 e julho de 2011, com o objetivo de conter o avanço da inflação. ''Os empresários apostaram na continuidade do crescimento da economia brasileira e paranaense'', esclarece.
O segundo motivo de crescimento do emprego na indústria do Paraná é consequência das medidas adotadas pelo governo. A partir de agosto do ano passado, o Banco Central reduziu a taxa de juros e aumentou a oferta de crédito com o intuito de conter os efeitos da crise financeira europeia no Brasil e de minimizar a desaceleração da economia nacional. ''Na ocasião, a indústria do Paraná mostrou poder de resposta muito rápido e passou a contratar'', avalia Lourenço.
O diretor presidente do Ipardes explica que o terceiro fator favorável ao emprego foi o novo arranjo institucional entre o Governo do Estado e a iniciativa privada, com um projeto de desenvolvimento para o Paraná. ''Isso se mostra nas intenções de investimento. Por meio do Paraná Competitivo, o setor privado anunciou R$ 9 bilhões em investimentos industriais no Paraná'', afirma. Segundo Lourenço, essa é a maior carteira de investimentos privados registrada no País em 2011. ''Alguns desses investimentos estão em fase de materialização, o que gera emprego'', revela.
Os setores que mais contribuíram para puxar as estatísticas de ocupações e rendimentos foram os de máquinas e materiais elétricos e de comunicações, alimentos e bebidas, meios de transporte, metalurgia, produtos de metal e agronegócio. ''São empregos que exigem maior grau de qualificação e, consequentemente, geram salários mais altos que a média nacional'', esclarece.

Perspectivas
Segundo Lourenço, as estimativas para 2012 ainda dependem da intensidade dos efeitos da crise europeia no País. A desaceleração da economia europeia, que deve interferir na americana, japonesa e chinesa, deve reduzir o consumo de minério de ferro e de petróleo. ''Mas o consumo de alimentos não deve diminuir, o que favorece economias como a do Paraná, onde o agronegócio deve se beneficiar da conjuntura que mantém os preços das commodities agrícolas elevados'', analisa.
O diretor presidente do Ipardes prevê que o crescimento do emprego na indústria em 2012 não deve ser tão significativo quanto em 2011, mas o setor não deve enfrentar crise e o desempenho deve se manter positivo.

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