A partir da próxima semana os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul vão pedir ao Ministério da Agricultura que inicie o processo visando obter o reconhecimento de que os dois Estados estão ‘‘livres da febre aftosa, com vacinação’’. Se o pedido for aceito uma das consequências será o bloqueio do trânsito interestadual de animais de outros estados. ‘‘É inevitável impedir que os animais de SP, cujo estado está há 15 meses sem ocorrência de febre aftosa, sejam enviados para o PR e MS’’, admitiu o diretor da Divisão Sanitária Animal, da Seab, Felizberto Batista.
Ele justifica que a suspensão do trânsito de animais oriundos de São Paulo e de outros estados, onde a doença ainda não está controlada, é necessária a partir do momento que o Ministério da Agricultura autorize o início dos testes de sorologia nos estados do PR e MS. A medida faz parte de normas internacionais que determinam o isolamento dos animais que estão sendo testados, justificou.
Segundo a Federação da Agricultura do Paraná (Faep), medida idêntica foi adota pelo estado de Santa Catarina quando proibiu a entrada de bovinos e suínos do Paraná no ano passado. Portanto, trata-se de decisão técnica indispensável aos critérios para coleta e análise de amostras para constatação do grau de sanidade animal em relação à febre aftosa.
Barreira Para se preparar para os novos procedimentos, o Paraná vai ampliar as barreiras sanitárias nas divisas com os três estados com os quais tem limite: Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Segundo Felizberto Batista, atualmente são 23 barreiras em funcionamento durante 24 horas por dia e em pouco tempo serão 32 barreiras, anunciou.
O pedido será feito diretamente ao ministro Arlindo Porto e os representantes do PR e MS estão entusiasmados com a possibilidade de começarem logo os testes de sorologia, que vão avalizar cientificamente se os rebanhos desses dois estados estão livres ou não do vírus da febre aftosa.
A decisão de entrar com o pedido de reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa, com vacinação, foi adotada na última segunda-feira, em Londrina, durante reunião mantida entre representantes dos governos estaduais, das federações de agricultura e da cadeia produtiva da pecuária dos dois estados. Isso porque as condições sanitárias estão boas, uma vez que o Mato Grosso do Sul completou dois anos sem febre aftosa em dezembro último e o Paraná, em maio.
Assim, os estados do PR e MS passam a adotar ações conjuntas para obter o reconhecimento internacional até 1999. O secretário da Agricultura do Paraná, Hermas Brandão, promete apoiar todas as medidas técnicas necessárias para que o Centro Internacional de Febre Aftosa, vinculado a Organização Mundial de Saúde emita parecer técnico sobre a condição do rebanho bovino do estado. No Paraná, que tem mais de 8 milhões de cabeças de gado, será necessária a coleta de mais de 7 mil amostras, explicou Brandão.

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