Marcelo AlmeidaReunião técnicaFernando Ferreira, que coordenou a reunião do Circuito Pecuário Centro-Oeste ontem, em CuritibaOs estados do Paraná e Mato Grosso do Sul deverão apresentar estudos sobre ‘‘impactos econômicos’’ provocados no Centro-Oeste se for determinado o fechamento de fronteiras, impedindo o trânsito de animais e de produtos de origem animal. Com base nesses estudos, o Ministério da Agricultura poderá avaliar se prossegue com o programa nacional de erradicação da febre aftosa de forma progressiva, como está sendo pleiteado por PR e MS ou por região, conforme metas estabelecidas pelo Departamento de Vigilância Sanitária do Ministério da Agricultura (MARA).
Enquanto isso, permanece a decisão do Ministério da Agricultura de aguardar até setembro quando será conhecida a avaliação da Organização Internacional de Epizootias sobre as condições sanitárias dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Se a decisão da OIE for favorável, o MARA vai definir as próximas etapa do programa nacional de erradicação da febre aftosa nos demais estados, afirmou o coordenador de Vigilância e Programas Sanitários do Ministério, Fernando José Ferreira da Silva, que esteve ontem em Curitiba coordenado a 7ª reunião do Circuito Pecuário Centro-Oeste.
Estavam presentes os representantes dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Tocantins e Paraná.
Se a OIE reconhecer que os dois estados do Sul estão aptos a receber a declaração de área livre de febre aftosa com vacinação, isso significa um reconhecimento internacional ao trabalho de erradicação da doença que está sendo implementado no País e vai permitir uma avanço em direção a outros estados ou região, salientou Ferreira da Silva.
Pelas dimensões do país a equipe técnica do Ministério da Agricultura defende o avanço do programa por região, conflitando com os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná que argumentam estarem sendo pressionados pelos seus parceiros da iniciativa privada a definirem com o ministro da Agricultura, Arlindo Porto as próximas etapas do programa.
Segundo o técnico, com exceção do Tocantins, todos os demais estados do Centro-Oeste completarão o período exigido de 24 meses sem registro de focos de febre aftosa até dezembro de 1997. Portanto, todos estariam credenciados a avançar no programa a partir do ano que vem. Tecnicamente o reconhecimento internacional de que a região está livre da doença, com vacinação, está prevista para o ano 2000.
Ferreira da Silva lembrou que a incidência da febre aftosa no rebanho bovino do Brasil é utilizada como barreira não tarifária pelos países europeus para impedir a entrada de carne in natura naquele continente. Na verdade a Europa teme o Brasil livre da febre aftosa pelas suas potencialidades de produção, argumentou.
Em função disso existe uma resistência em admitir que regiões brasileiras estão avançando no processo de erradicação da doença e por isso o país precisa ser bastante cauteloso, defendeu o técnico. Segundo ele, não se pode antecipar medidas que podem ser do interesse dos Estados e correr o risco de atropelar as metas estabelecidas pelo MARA, afirmou.
Sobre o impacto econômico provocado pelo fechamento de fronteira interestadual entre Paraná e São Paulo e o Mato Grosso do Sul com São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso Ferreira da Silva acredita que ele será enorme em função da interdependência econômica entre os estados do circuito pecuário da região Centro-Oeste, considerado o maior do país com um rebanho de 80 milhões de bovinos, justificou. Isso porque no mínimo são 20 milhões de cabeças que se movimentam anualmente nessa região, trazendo todos os riscos de infestação da doença, acrescentou.

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