PR é autorizado a exportar carne para a UE
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O Paraná poderá voltar a exportar carne bovina in natura para os 27 países da União Européia (UE). A autorização é decorrência da retomada do status de área livre de febre aftosa com vacinação, concedido no final do mês passado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O comunicado, feito ontem pelo Comitê Veterinário Permanente da União Européia, também autoriza as exportações oriundas de São Paulo mas, nos dois casos, as propriedades devem ser cadastradas como Estabelecimento Rural Aprovado Sisbov (Eras). Os dois Estados estavam com as exportações embargadas desde outubro de 2005, quando foi confirmado foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul.
Apesar de anunciado ontem, a decisão do Comitê Veterinário da UE ainda deverá ser publicada oficialmente neste mês. Segundo o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Valter Bianchini, o Paraná tem cerca de 200 mil propriedades rurais, das quais apenas 269 já estariam enquadradas no Sisbov. A maioria delas estaria localizada nas regiões Norte e Noroeste. No entanto, a exportação só será aprovada depois que as propriedades passarem por auditoria oficial do Mininistério da Agricultura, o que deverá ter início imediato. A União Européia representa entre 15% e 20% do mercado brasileiro exportador, são cerca de 500 mil toneladas. A diferença é que os europeus importam cortes nobres, com maior preço médio, comenta.
Ele ainda diz que alguns frigoríficos do Paraná já negociavam com a UE antes dos embargos e que depois da autorização deverá ocorrer a retomada deste mercado. O preço da arroba (entre R$ 80 e R$ 85) significa que a pecuária voltou a ser competitiva se comparada com o rendimento da agricultura e da cana-de-açúcar, avalia. Para o pecuarista André Carioba, presidente da Associação Nacional de Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), a autorização para exportações abre nova frente de negócios para o Paraná. Ele, inclusive, teve a sua propriedade considerada foco de aftosa em dezembro de 2005. É uma notícia boa para a pecuária de corte, avalia.
Carioba acrescenta que a cotação da arroba bovina vem em um movimento de alta e que deverá aumentar ainda mais devido à entrada da entressafra, entre junho e outubro. Vai cair a oferta de boi gordo e a tendência lógica é que o preço aumente mais até outubro, comenta. Segundo ele, a arroba chegou a ser negociada por R$ 102 no mercado futuro para outubro, mas que a cotação já recuou para R$ 90 e agora está entre R$ 94 e R$ 95. A variação de preços vai depender da demanda, mas os preços de todas as commodities estão subindo. A alta de preços não depende do pecuarista, até porque os custos estão altíssimos; os consumidores pagam mais, diz.
Na sua avaliação, poucas propriedades paranaenses terão condições de seguir todas as regras do Sisbov, ao contrário do que ocorre em São Paulo. Carioba acrescenta que a ANPBC irá lançar uma campanha para que a rastreabilidade dos animais conste nas Guias de Trânsito Animal e não em documentos paralelos, como ocorre hoje.
O MS deve ter o reconhecimento da OIE de área livre de febre aftosa com vacinação no final de julho. A partir deste reconhecimento, o ministério irá requisitar que o Estado também volte a ser habilitado para exportar carne à União Européia. Até então, estavam habilitados a exportar carne bovina para a UE os Estados de Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo e Santa Catarina. (Com Agência Estado)


