Curitiba - As operações de fusões e aquisições devem ter um crescimento de 10% a 15% neste ano no Brasil. No ano passado, foram fechados cerca de 800 contratos e o Paraná respondeu por 12% do total. O estado ficou em quarto no ranking, empatado com Rio Grande do Sul e atrás de São Paulo, Minas e Rio. A necessidade de profissionalização das empresas para competir tanto no mercado externo como no interno e a estabilidade econômica devem impulsionar estas operações.
No primeiro trimestre deste ano, houve um crescimento de 9% das transações e um decréscimo de 3,5% no valor total. De acordo com o CEO da consultoria Open Point Partners, especializada em operações para empresas familiares, Adeodato Volpi Netto, a diminuição em valor denota pulverização, ou seja, um aumento das transações entre pequenas e médias empresas. As transações entre estas companhias devem crescer 20% em 2011.
Para Volpi Netto, tal crescimento seria devido à retenção de capital por parte dos investidores internacionais. Além disso, a legislação brasileira, com a interferência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segurou um pouco este impulso de transações nas grandes empresas por conta de concentração de mercado e monopólio.
''Nas principais economias mundiais, com estabilidade, as empresas começam a fazer planejamento. Até 1998, as companhias brasileiras não conseguiam se planejar para 12 meses'', destacou. E o cenário no Brasil já tinha sido bem mais pessimista. Entre 1980 e 1994, ano de início do Plano Real, o País teve 15 ministros da Fazenda, cinco presidentes, seis moedas e atingiu uma inflação astronômica de 5.000% em 1993. De 1995 até agora, foram três presidentes, três ministros da Fazenda, uma moeda, juros e inflação controlados. Tudo isso, criou um cenário favorável para novos processos de fusão e aquisição.
O especialista comentou que as transações fazem ''especialistas de duas empresas, juntos, virarem grandes generalistas''. Com isso, elas podem dividir os riscos. Caso a fusão faça as empresas terem mais de 50% da market share, já é passível de regulação do mercado, ou seja, análise do Cade.
Volpi Netto previu que a fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar não deve sair por formação de monopólio. Para o acordo entre a Sadia e a Perdigão, a previsão dele é que uma das marcas desapareça do mercado a médio prazo, em cerca de cinco anos.
No mundo
No mundo, o Brasil saltou da décima quarta posição no ranking de fusões em 2007 para a sexta colocação no ano passado. As operações no país, em 2010, totalizaram R$ 184,8 bilhões, ou 3,7% do total mundial. No ano passado, os Estados Unidos ocuparam o primeiro lugar no ranking mundial de fusões, embora o valor das transações tenha despencado de US$ 1,3 trilhão para US$ 715,5 bilhões.

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