Rio de Janeiro - Investimentos de quase US$ 500 milhões estão sendo estudados por grupos estrangeiros e nacionais para serem aplicados no Paraná, Bahia e Espírito Santo para a construção de novos estaleiros e reativação de antigas instalações. Esses estados querem disputar as encomendas de plataformas de exploração e produção de petróleo da Petrobras com o Rio de Janeiro que, até agora, mantinha a hegemonia da indústria naval nacional, por ser a sede dos únicos estaleiros do País com condições de fazer frente aos grupos internacionais na realização dessas obras.
No Paraná, pelo menos dois grupos analisam a possibilidade de investir no porto de Paranaguá. Já na Bahia, o governo do Estado está se movimentando para arrendar o estaleiro São Roque do Paraguaçu, de propriedade da Petrobras, e busca parceiros para reativar outros três estaleiros parados. ''A Bahia apresenta condições favoráveis para a instalação de canteiros industriais offshore, como a existência de águas protegidas e com grandes profundidades. Por isso mesmo é que muitas das principais plataformas da Petrobras que atuam hoje na Bacia de Campos foram feitas aqui'', disse o consultor Eduardo Rappel, ex-presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), que está intermediando as negociações do estado baiano com a estatal.
O Espírito Santo, entretanto, é quem deve sair na frente na atração de investimentos, principalmente devido às recentes descobertas da Petrobras na região, que deverão ser priorizadas em relação a outros projetos. Além da construtora Camargo Correa, que vai investir US$ 50 milhões em um canteiro de obras no norte do Estado, o governo local se prepara para anunciar até o final do ano investimentos em torno de US$ 250 milhões provenientes de dois grupos que já atuam no País e querem construir novos estaleiros.
Mas além das vantagens ''naturais'', os outros estados correm para atrair investimentos em novos estaleiros por conta da questão tributária. A Petrobras já informou que na revisão de seu plano estratégico para o período de 2004 e 2008 o fator tributário vai influenciar na decisão dos projetos.
Apenas como exemplo do problema com a carga tributária no estado do Rio que a estatal enfrenta hoje, se a plataforma P-51, que está ameaçada de ser suspensa, fosse feita em outro estado para também operar fora do Rio de Janeiro, haveria a possibilidade de redução do seu custo total de US$ 700 milhões em US$ 100 milhões. ''No novo plano estratégico vamos priorizar investimentos pelos custos que eles envolvem. Não descartamos a possibilidade de cancelar um projeto numa determinada área, que envolva uma carga tributária maior, para investir a mesma quantia numa outra área em que haja menor custo'', comentou o gerente executivo de engenharia da estatal, Pedro Barusco Filho.

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