PR deve produzir safra maior de cana
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terça-feira, 03 de agosto de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O Paraná deve produzir 31 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2004/2005. O volume é 8,7% maior que os 28,5 milhões obtidos no ano passado. A quantidade do produto que será efetivamente industrializado no Estado, entretanto, será 2% menor que os números de 2003.
''O excesso de chuva nos meses de maio e junho dificultou a colheita e impediu o trabalho das usinas'', justificou José Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar). A estimativa da entidade é que sejam produzidas 1,8 milhão de toneladas de açúcar e 1,2 bilhão de litros de álcool.
Os números do Paraná acompanham a tendência verificada em toda a região Centro Sul do País, onde a produção deve crescer 7% em 2004/2005 e alcançar 320 milhões de toneladas. A projeção é a mesma apresentada pelo setor em março. Nos outros estados pesquisados, as condições climáticas desfavoráveis também provocaram alterações nas estimativas de processamento.
A produção de açúcar deverá ser um milhão de toneladas menor do que a prevista inicialmente, e a de álcool, 500 milhões de litros abaixo. A menor produção já interfere nos preços do álcool, que valorizou 20% durante o último mês no atacado.
De acordo com levantamento do Centro de Estudos de Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, o litro do álcool hidratado (utilizado para combustível) foi cotado a R$ 0,648 na semana passada, ante o valor de R$ 0,537 praticado na última semana de junho.
O Brasil exportou 1,2 bilhão de litros. Este ano, de janeiro a 15 de julho, apenas a região Centro Sul vendeu 1,04 bilhão de litros ao exterior.
Outro fator é que a demanda interna está aquecida por causa da alta no petróleo e seus derivados, como é o caso da gasolina. ''Mas os preços ainda estão mais baixos que os praticados no ano passado'', disse. O aumento já chegou às bombas de combustível de Londrina. O site da Agência Nacional de Petróleo (ANP) indica que a alta foi de 6,5% apenas no mês de julho. Na primeira semana do mês o litro do álcool custava R$ 0,908, em média. Na semana passada, consumidores pagaram R$ 0,967 pelo produto. Ontem, muitos postos já praticavam o preço de R$ 0,99 por litro de álcool.
Para fugir do aumento, algumas pessoas adotaram a estratégia de comprar álcool em uma envasadora da cidade. Como o estabelecimento não tem autorização para vender álcool combustível, o consumidor compra o produto em galões e leva para abastecer o carro em casa. Uma empregada doméstica que não quis se identificar só utiliza, em seu carro, o álcool comprado na envasadora. Segundo ela, a empresa vende o litro a R$ 0,90. ''A cada 20 litros, ganho dois'', comparou a senhora, que não tem medo de se envolver em acidentes por transportar o combustível sem segurança.


