O Paraná deverá colher 24,9 milhões de toneladas de grãos, 11,16% maior que a safra anterior, mas com produção 15% inferior ao potencial da atual safra. A estimativa inicial apontava uma colheita de 29,3 milhões de toneladas de grãos, e as perdas financeiras devem chegar a R$ 1,57 bilhão.
O levantamento, com dados pesquisados até o dia 20 de março, foi realizado por técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura, que divulgaram ontem em Curitiba o atual balanço da safra 2005/06 no Paraná.
O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, lembrou que mesmo com a redução de 4,4 milhões de toneladas, o Estado continua sendo o maior produtor nacional de grãos. ''Se compararmos a produção atualmente estimada com a verificada na safra 2004/05, quando colhemos 22,4 milhões de toneladas, verificamos que devemos ter uma safra 11,16 maior que a anterior'', comentou.
A pesquisa do Deral indica que o Paraná deverá colher 9,29 milhões de toneladas de soja da safra normal. A pesquisa confirma que a cultura foi prejudicada pela falta de chuva principalmente nas regiões sudeste, oeste e noroeste do Estado.
Até o dia 20 de março, 54,3 % da área com a cultura tinha sido colhida. Os técnicos afirmam que 2,46 milhões de toneladas ficaram comprometidas com a estiagem. Atualmente, a produtividade média esperada é de 2.394 quilos por hectare. Ou seja, 3,9% superior à obtida no ano passado. A Divisão de Estatística Básica do Deral calcula que as perdas financeiras com a soja chegam a R$ 956,3 milhões.
Em relação ao milho, segundo o novo cálculo do Deral, o Estado deverá produzir 7,60 milhões de toneladas da safra normal. O levantamento aponta que a redução na produção de milho diminuiu de 2,07 milhões de toneladas, projetada em fevereiro, para os atuais 1,79 milhão de toneladas. É o que indicam a estabilidade climática e o avanço da colheita. Até o dia 20 de março, 52,3% da área com a cultura já tinha sido colhida.
O chefe do Setor de Previsão de Safras do Deral, Dirlei Antônio Manfio, informou que as atuais condições das lavouras de milho estão melhores do que as verificadas em fevereiro. ''Com exceção das lavouras da região sudeste do Estado. Porém, nas regiões de Cornélio Procópio e de Maringá, onde a colheita já foi realizada em 80% da área, a produtividade obtida é 3% e 9% respectivamente. Ou seja, essas produtividades são superiores a estimada inicialmente'', comentou.
O Paraná também colheu 420 mil toneladas de feijão das águas. Inicialmente, estava prevista uma produção de 537 mil toneladas. Devido às adversidades climáticas, as perdas na produção chegaram a 21,8% e foram verificadas principalmente nas regiões de Curitiba, Guarapuava, Irati e Ponta Grossa.
O balanço do Deral ainda indica que o Paraná deverá colher 71.169 toneladas de arroz de sequeiro, ou seja, 10.809 toneladas a menos do que o inicialmente previsto.
O quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado este mês, aponta que o Paraná aumentou sua participação na produção nacional de grãos. Nesta safra, o Brasil deverá colher 122,6 milhões de toneladas. O Paraná deve responder por 20,2% dessa produção. Em janeiro deste ano, dados da Conab apontavam que o Paraná respondia por 20,0% da produção do País.

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