PR despacha 3 toneladas de agrotóxicos ilegais
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Como resultado de ações contra o contrabando de agrotóxicos, a maioria proveniente da China, o Paraná despachou para São Paulo um caminhão com cerca de três toneladas de produtos clandestinos apreendidos. A carga foi enviada para ser incinerada nos fornos do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), em Suzano (SP). Nova carga de quase três toneladas de produtos ilegais está sendo preparada para o mesmo destino. As duas correspondem à apreensões realizadas somente em Cascavel e Foz do Iguaçu.
O despacho da carga se transformou em ato solene realizado ontem em Cascavel, com a participação dos secretários da Agricultura, Orlando Pessuti; do Meio Ambiente, Luis Eduardo Cheida, e representantes da Receita Federal e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), órgãos responsáveis pela apreensão dos agrotóxicos contrabandeados nas zonas de fronteira.
O vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), José Roberto Da Ros, entidade responsável pelo Inpev, que passa a dar um destino à embalagens de agrotóxicos, também participou da solenidade. O comércio ilegal de agrotóxicos resulta em prejuízos anuais de US$ 100 milhões. Há cerca de três anos, o Sindag e a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) lideram uma campanha nacional contra os agrotóxicos contrabandeados, pirateados e roubados.
De acordo com o chefe da Fiscalização no Comércio e Uso de Agrotóxicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Alvir Jacob, a fiscalização foi intensificada após denúncias de comerciantes que alegaram perda de vendas de produtos de última geração para o comércio clandestino. Os ingredientes ativos mais contrabandeados são o Metasulfuron, utilizado no plantio direto da soja, e o Clorimuron, aplicado na cultura do trigo.
Segundo Jacob, deduz-se que as vendas desses produtos estejam ocorrendo diretamente nas propriedades, o que deflagrou o aumento da fiscalização da Seab no campo. ''Entretanto é impossível fiscalizar as 340 mil propriedades no Estado, sendo que só de soja ultrapassa 100 mil'', observou. ''Com a parceria feita com a Receita Federal e o Ibama, que atuam nas fronteiras, as apreensões aumentaram''.
O secretário Orlando Pessuti disse que essa parceria deverá se expandir para o Brasil inteiro. O agricultor ou comerciante que for flagrado com produto contrabandeado, sem o receituário agronômico, vai responder a processo criminal. Pessuti lembrou que esses produtos não são registrados e portanto não têm o aval da Ministério da Agricultura. ''Já aconteceram casos de lavouras destruídas por agrotóxicos clandestinos'', avisou. ''Outro risco é a falta de bula com texto em português que confunde ainda mais o agricultor'', acrescentou.


