PR critica proteção ao Norte e Nordeste
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Agência Estado 
CURITIBA - O secretário da Indústria e Comércio do Paraná, Nelson Justus (foto), disse ontem que a Medida Provisória nº 1.532, que amplia os incentivos fiscais para montadoras e empresas de autopeças que se instalarem nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, abre um precedente muito perigoso. O Paraná não deve ser prejudicado, mas é uma medida injusta e discriminatória, avaliou. Segundo ele, a redistribuição industrial no País é importante, mas a forma escolhida pelo governo federal é protecionista e poderá trazer embaraços.
Justus disse que tem mantido contatos com várias montadoras e percebeu que o item incentivos está colocado no terceiro ou quarto lugar entre os motivos que levam as empresas a optar pela localização de suas unidades. É importante, mas não o mais importante, ressaltou. De acordo com ele, a qualidade de vida, a infra-estrutura, a posição estratégica no Mercosul e a credibilidade do governador Jaime Lerner (PDT) foram os principais motivos que levaram a Renault, Crysler e Volks/Audi a preferir o Paraná.
O secretário acredita que a MP não terá o efeito desejado pelo governo federal, constituindo-se mais em uma medida política. Ele teme que, por existir esse precedente, os governantes possam se sentir encorajados a tomar medidas ainda mais discriminatórias.
Um estado como o Paraná, que tem uma situação solidificada e os compromissos com o governo federal em dia, é penalizado, criticou. Justus reclama que, com essa MP, o próprio governo federal esteja institucionalizando a guerra fiscal.


