O Paraná foi o destino de 72% do dinheiro contratado junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o investimento de cooperativas na ampliação de atividades industriais. Pelo Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), o setor paranaense conseguiu R$ 51,988 milhões, de um total de R$ 72,772 milhões divididos ainda com Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Superintendente adjunto da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Nelson Costa afirma que a demanda paranaense é grande porque os grupos investiram muito na ampliação da indústria de carnes e de soja, além da construção de armazéns. Com isso, ele diz que a tendência é agregar valor de revenda aos produtos. "Isso gera mais renda ao produtor, mais tributos e mais empregos para a região", diz.
Costa diz que grupos que recebem grãos tendem a trocar a venda da matéria-prima pela de óleo ou de farelo, que são mais rentáveis, como no caso da Integrada Cooperativa Agroindustrial. Somente o grupo de Londrina contratou R$ 40 milhões em agentes como o BNDES e o Banco do Brasil, para investir na construção de indústrias de processamento de milho, de suco de laranja e na melhoria de unidades de recebimento de grãos. O superintendente da Integrada, Nelson Hashimoto, afirma que o valor representa 60% dos custos e a cooperativa contará com taxa de juros de 5,5% ao ano e prazo de cinco a dez anos para quitar a dívida. "Essa linha (Prodecoop), para nós, é muito importante para impulsionar os investimentos na industrialização da produção", diz.
Hashimoto diz que, para o produtor, os investimentos na agroindústria criam demanda e agregam valor aos produtos que oferecem. Outra vantagem, segundo o superintendente da Ocepar, é que o investimento de cooperativas gera uma maior pulverização da renda pelo Estado. "Diferentemente da instalação de uma indústria multinacional em uma grande cidade, que gera apenas emprego e renda no local, a agroindústria faz com que o pequeno produtor também seja beneficiado."

No País
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou que, de julho a dezembro do de 2012, foram contratados R$ 388,5 milhões por cooperativas por meio do Prodecoop em todo o País. O número inclui movimentações feitas também pelo Banco do Brasil, além do BNDES, segundo a assessoria do Mapa.
Apenas no segundo semestre de 2012 houve aumento de 60,7% em relação aos R$ 241,7 milhões obtidos no mesmo período de 2011. O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Mapa, Caio Rocha, afirmou, em nota, que o apoio às cooperativas é fundamental para impulsionar a economia agropecuária e nacional. Ele diz ainda que a confiança do setor em obter mais crédito para investimento se deve ao bom momento do agronegócio nos últimos anos.
O limite de financiamento também passou de R$ 60 milhões em 2011 para R$ 100 milhões por cooperativa no ano passado. Mesmo assim, as contratações correspondem a 19,4% dos R$ 2 bilhões disponíveis pelo Prodecoop para a safra 2012/13.

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