PR antecipa plantio de milho e feijão
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quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Produtores do Oeste do Paraná já iniciaram o plantio de milho com o objetivo de antecipar a colheita para a segunda quinzena de janeiro. Com isso, eles poderão vender no auge da entressafra, período em que se espera uma alta ainda maior do grão, diante da escassez do produto no País e do aumento da demanda por proteína animal, que eleva também a compra de milho.
O feijão das águas também já está sendo plantado na região Sudoeste.
Além da pressa em colocar o milho no mercado em pleno período de entressafra, as chuvas alternadas com os períodos de calor, em várias regiões do Estado, estão favorecendo o plantio. Cerca de 15.370 ha, que correspondem a 1% da área estimada para o cultivo de milho no Paraná já foram plantados, calculou ontem a engenheira agrônoma Rossana Catiê Bueno de Godoy, do Deral.
Catiê destaca que a antecipação do plantio de milho está sendo feita dentro do zoneamento agrícola. Segundo a técnica, depois da geada o produtor ficou temeroso e agora está mostrando que pretende seguir rigorosamente as orientações. No Paraná, a temporada de plantio de milho iniciou no dia 21 de agosto e deve se intensificar a partir da próxima semana.
Os preços do milho continuam atraentes para o produtor. No ano passado, a média ficou em R$ 8,58 a saca, e neste ano a média está permanecendo em R$ 10,92, com expectativa de subir ainda mais no período da entressafra, no final do ano. Ontem, o preço pago ao produtor estava variando entre R$ 11,50 e R$ 11,70 a saca. Com isso, o plantio de milho terá um incremento de 15% na área plantada, passando de 1.543.000 ha para 1.774.000 ha.
O plantio de feijão das águas iniciou na região Sudoeste sem muito entusiasmo. Os preços obtidos esse ano não foram favoráveis ao produtor e por isso a área plantada está sendo reduzida em 16,6%. A área cultivada cai de 443.979 ha para 376.181 ha.
De acordo com corretor Marcelo Luders, da Correpar, o desestimulo com a cultura foi tão grande que por incrível que pareça o produtor ainda está indeciso se vai efetivar sua intenção de plantio ou não. Por outro lado, o frio e a expectativa da ocorrência de geadas nas regiões Centro-Sul e Sudoeste, está fazendo com que o produtor segure um pouco mais o plantio.
Com isso, há um atraso em relação ao plantio em outros anos, que normalmente iniciava a partir do final de julho. Luders calcula que pelo menos 30% da área total do Estado já deveria ter sido plantada. Isso significa que toda a região onde predomina o cultivo de feijão preto na região Centro-Sul e Sudoeste já deveria ter sido ocupada.
Outro indicador que o plantio de feijão está patinando é o fraco desempenho na venda de sementes. As empresas não chegaram a vender 5% do volume estimado para esse período do ano, calculou Luders. Toda a região onde se planta o feijão preto nos municípios do Centro Sul e Sudoeste já deveria ter sido plantada.


