PR ainda desenvolve pesquisas com biodiesel
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segunda-feira, 24 de abril de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Enquanto em alguns Estados o biodiesel já é realidade, no Paraná o assunto ainda está, salvo com alguns poucos exemplos, no campo das pesquisas. Até agora, a maioria dos investimentos do governo do Estado foi direcionada aos estudos agrícolas e tecnológicos. No entanto, a partir de junho uma planta-piloto, instalada em Curitiba, irá trabalhar no desenvolvimento de tecnologia de produção do biodiesel. O laboratório irá estudar a obtenção de biodiesel a partir de óleos vegetais e testar óleos potenciais.
O desafio é eliminar as diferenças entre os diversos tipos de óleos vegetais à produção do biodiesel. Produção que, aliás, é regulamentada pela resolução 42/04 da Agência Nacional do Petróleo, que define os parâmetros físico-químicos do produto. Estão sendo estudadas alternativas como o girassol, nabo forrageiro e algodão. Além disso, ações coordenadas pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em parceria com associações de produtores rurais, já desenvolveram pesquisas com o girassol.
No ano passado, foram plantados mais de 5 mil hectares da planta para pesquisa, distribuídos em 50 unidades de observação por todo o Paraná. O girassol apresentou um potencial alto para o óleo, informa Richardson de Souza, coordenador estadual do Programa de Bioenergia da Seab. Por isso, técnicos da Embrapa estão finalizando um projeto de zoneamento climático para a cultura. Esse projeto tem que ser reconhecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para que os produtores tenham acesso a recursos para custeio da lavoura e seguro agrícola.
O trabalho com os girassóis está sendo desenvolvido por agricultores familiares. Neste ano serão montadas nove unidades de pesquisas com a instalação de miniprensas nas propriedades. Os técnicos estão estudando desempenho da cultura e a utilização dos produtos. Até agora, as pesquisas mostraram que o girassol pode ser uma alternativa viável ao milho safrinha, que está com a cotação em baixa. Além de usar como óleo comestível, a torta da planta (resíduos da moagem) pode ser utilizada na alimentação animal.
Pombas - Por enquanto, a produção de 3,6 toneladas está sendo destinada para a produção de óleo comestível. Tivemos um ataque de pombinhas que desmotivou os produtores a continuar o cultivo de girassol. Esses ataques ocasionaram perdas de 30% a 50% nas lavouras na região de Maringá (noroeste do Estado), informa Souza. Segundo o coordenador do programa, o Ibama já foi procurado para discutir alternativas de controle dessas aves. No entanto, ainda não foi tomada nenhuma medida. Essas pombas trazem prejuízos aos agricultores e podem transmitir doenças à população urbana, comenta.
O Iapar também está desenvolvendo pesquisas com o nabo forrageiro, amendoim, canola, mamona e cártano. No entanto, como essas culturas não são plantadas em grande escala no Estado ainda não há conhecimento sobre as tecnologias de produção. Estão sendo pesquisadas as melhores variedades. O Tecpar está organizando as pesquisas e identificando os óleos vegetais que podem ser usados como combustíveis e que farão a melhor mistura com o óleo diesel, explica Souza.
Ele reforça que a utilização de óleos vegetais puros inviabilizam motores movidos a diesel. É uma prática não recomendável até que as pesquisas sejam concluídas. Estão ocorrendo várias experimentações em universidades e centros de pesquisas, mas não há resultados sólidos, diz.


