Enquanto em alguns Estados o biodiesel já é realidade, no Paraná o assunto ainda está, salvo com alguns poucos exemplos, no campo das pesquisas. Até agora, a maioria dos investimentos do governo do Estado foi direcionada aos estudos agrícolas e tecnológicos. No entanto, a partir de junho uma planta-piloto, instalada em Curitiba, irá trabalhar no desenvolvimento de tecnologia de produção do biodiesel. O laboratório irá estudar a obtenção de biodiesel a partir de óleos vegetais e testar óleos potenciais.
  O desafio é eliminar as diferenças entre os diversos tipos de óleos vegetais à produção do biodiesel. Produção que, aliás, é regulamentada pela resolução 42/04 da Agência Nacional do Petróleo, que define os parâmetros físico-químicos do produto. Estão sendo estudadas alternativas como o girassol, nabo forrageiro e algodão. Além disso, ações coordenadas pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em parceria com associações de produtores rurais, já desenvolveram pesquisas com o girassol.
  No ano passado, foram plantados mais de 5 mil hectares da planta para pesquisa, distribuídos em 50 unidades de observação por todo o Paraná. ‘‘O girassol apresentou um potencial alto para o óleo’’, informa Richardson de Souza, coordenador estadual do Programa de Bioenergia da Seab. Por isso, técnicos da Embrapa estão finalizando um projeto de zoneamento climático para a cultura. Esse projeto tem que ser reconhecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para que os produtores tenham acesso a recursos para custeio da lavoura e seguro agrícola.
  O trabalho com os girassóis está sendo desenvolvido por agricultores familiares. Neste ano serão montadas nove unidades de pesquisas com a instalação de miniprensas nas propriedades. Os técnicos estão estudando desempenho da cultura e a utilização dos produtos. Até agora, as pesquisas mostraram que o girassol pode ser uma alternativa viável ao milho safrinha, que está com a cotação em baixa. Além de usar como óleo comestível, a torta da planta (resíduos da moagem) pode ser utilizada na alimentação animal.
  Pombas - Por enquanto, a produção de 3,6 toneladas está sendo destinada para a produção de óleo comestível. ‘‘Tivemos um ataque de pombinhas que desmotivou os produtores a continuar o cultivo de girassol. Esses ataques ocasionaram perdas de 30% a 50% nas lavouras’’ na região de Maringá (noroeste do Estado), informa Souza. Segundo o coordenador do programa, o Ibama já foi procurado para discutir alternativas de controle dessas aves. No entanto, ainda não foi tomada nenhuma medida. ‘‘Essas pombas trazem prejuízos aos agricultores e podem transmitir doenças à população urbana’’, comenta.
  O Iapar também está desenvolvendo pesquisas com o nabo forrageiro, amendoim, canola, mamona e cártano. No entanto, como essas culturas não são plantadas em grande escala no Estado ainda não há conhecimento sobre as tecnologias de produção. Estão sendo pesquisadas as melhores variedades. ‘‘O Tecpar está organizando as pesquisas e identificando os óleos vegetais que podem ser usados como combustíveis e que farão a melhor mistura com o óleo diesel’’, explica Souza.
  Ele reforça que a utilização de óleos vegetais puros inviabilizam motores movidos a diesel. ‘‘É uma prática não recomendável até que as pesquisas sejam concluídas. Estão ocorrendo várias experimentações em universidades e centros de pesquisas, mas não há resultados sólidos’’, diz.

mockup