Maigue Gueths
De Curitiba
Uma parceria entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Canadian Enviroment Industry Association (Ceia) está permitindo a implantação de um projeto-piloto em seis Estados do País, que estudará formas para a indústria poupar energia e aumentar seus lucros e competitividade. No Paraná, o projeto começa a ser aplicado no setor madeireiro, junto a duas indústrias. Até o ano 2001 será feito um relatório sobre os resultados do programa, que poderá ser ampliado.
Os outros projetos serão desenvolvidos no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará e Santa Catarina. Os programas são voltados para os setores de alimentação, ferro gusa, automotivo e têxtil. Para conhecer melhor os estudos voltados à conservação de energia, tanto no Canadá como em outros países, especialistas e empresários participaram, ontem, do workshop ‘‘Mudança de Clima e Gestão Energética’’, realizado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e Senai.
Para o coordenador do Conselho Temático de Meio Ambiente da Fiep, Luiz Guilherme Pauli, os empresários já estão conscientizados da necessidade de trabalhar em sintonia com programas de preservação do meio ambiente. Um dos indicadores desta consciência é o número de certificados ISO 9.000 emitidos. Cerca de 3 mil empresas têm o certificado no Paraná, segundo o gerente regional Luiz Henrique Bucco, do Senai da Cidade Industrial de Curitiba – órgão capacitado para prestar assessoria às empresas nessa área. Já o número de ISO 14.000 voltado a empresas com gestão ambiental ainda é pequeno: cerca de 100 empresas possuem a certificação no País, três no Paraná.
Segundo Pauli, o reaproveitamento de energia no setor madeireiro utiliza resíduos da própria madeira, o que traz uma redução média de 15% a 40% no consumo de petróleo, além de significar milhões de dólares em economia anualmente. Com o programa piloto, ele calcula que o uso de petróleo pode cair para menos de 1% das necessidades energéticas da indústria. A implantação do programa terá um custo de US$ 90 milhões. ‘‘A preservação ambiental não tem mais o mesmo caráter poético dos anos 80. Hoje trata-se de gestão ambiental e de gestão econômica. Poluição é sinônimo de desperdício’’, diz Bucco.

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