Curitiba - Muitas pessoas que têm direito a resgatar os saldos de contas de poupança que não foram recadastradas desde 1994 e cujo prazo para regularização vence em 31 de dezembro deste ano, estão sendo vítimas de um golpe. Escritórios que funcionam ilegalmente tiveram acesso aos nomes das pessoas que possuíam as contas bloqueadas e cobram delas de 30% a 50% do saldo pela intermediação do resgate. O dinheiro, repassado pelos bancos ao Tesouro Nacional, em 1998, totaliza atualmente cerca de R$ 352,4 milhões, referentes a 1,4 milhão de contas.
Para o economista Edison Marcos Nascimento, que investigou o funcionamento do esquema, o grande problema é que os bancos não informam aos clientes a existência das contas. ''As pessoas que aplicavam em contas assim eram gente humilde, e o dinheiro não era de falcatrua, mas de poupança. O Banco Central sabe disso, mas ninguém informa nada'', afirmou.
Na semana passada, a filha de um cliente de Nascimento conseguiu resgatar R$ 10 mil de uma conta aberta em 1986. Segundo o economista, ela só soube da conta porque um escritório ligou para ela, pedindo cobrou 30% do saldo da conta. ''O banco nunca enviou uma carta falando sobre a conta que estava bloqueada'', disse Nascimento. Um esquema semelhante foi denunciado em São Paulo, em novembro do ano passado. Nascimento disse que está aumentando o número de golpes por causa da proximidade do prazo para resgate do saldo.
O recadastramento de todas as contas correntes e de poupança foi determinado, em 1993, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para eliminar as contas fantasma e desmascarar esquemas de lavagem de dinheiro. Em janeiro de 1998, o Banco Central publicou no Diário Oficial da União uma listagem com o número e saldo das contas que ainda não haviam sido regularizadas, sem o nome das pessoas, para não caracterizar quebra de sigilo. Para Nascimento, o governo federal errou ao publicar a listagem em um mês de férias forenses. ''Parece que foi uma coisa programada, para que os advogados não dessem atenção'', criticou.
De acordo com a assessoria de imprensa do Banco Central, depois da determinação do CMN, em 1993, os bancos enviaram correspondência aos titulares das contas informando-os sobre a necessidade de regularização. Mas como havia erros em dados básicos, como o endereço ou número do CPF, muitas pessoas não foram encontradas, disse a assessoria. O Banco Central informou que desconhece qualquer atividade ilícita envolvendo as contas bloqueadas, e que qualquer caso deve ser comunicado ao órgão para as devidas investigações.

mockup