Poupança volta a atrair paranaenses
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A poupança voltou a ser o ''porto seguro'' do
paranaense com a crise econômica mundial, deflagrada em setembro do ano passado. Essa foi uma das conclusões da pesquisa do perfil do investidor do Paraná realizada com 1.800 pessoas que vão participar da Expo Money, evento de educação financeira e investimentos que acontece na próxima semana em Curitiba. O levantamento realizado pela empresa TradeNetwork apontou que 47% investem o dinheiro em poupança. A mesma pesquisa realizada no ano passado mostrava que a maior parte dos paranaenses (46,24%) investia em ações diretamente e 40,5% em poupança.
O diretor da Expo Money, Raymundo Magliano Neto, disse que esses números mostram que as pessoas estão com receio da crise. Este tipo de investimento é o preferido do paranaense apesar de ter rendido 0,55% em fevereiro e 0,64% em março. No ano, quem aplicou na poupança teve um ganho de 1,89% e, nos últimos 12 meses, de 8,16%. No entanto, ele alertou que a tendência é que haja uma queda no rendimento da poupança e dos fundos de renda fixa com os cortes de juros que o Banco Central vem promovendo no País.
Magliano acredita que o mercado acionário pode voltar a despontar quando as pessoas perceberem que a poupança e a renda fixa estão rendendo muito pouco. ''Há ações tão baratas que elas são mais negócio que a poupança'', informou. Segundo ele, o investidor compra ações na baixa, mas a vantagem é que recebe dividendos no final do ano. Os setores que ele considera interessantes para investir são as companhias de energia elétrica, de água e de cigarro como a Souza Cruz.
A advogada Cristiane da Rosa Hey, 31 anos, é uma das paranaenses que prefere a poupança. ''É mais seguro, fácil e simples'', avaliou. Por enquanto, ela ainda não tem previdência privada, mas pretende aderir à modalidade no futuro. A pesquisa mostrou ainda que a maior parte dos paranaenses tem perfil moderado (31%) e atuante (30%). ''Na média, as pessoas não se arriscam demais'', disse Raymundo Magliano Neto. O atuante seria uma mistura de arrojado e moderado.
O levantamento também apontou um aumento da participação da mulher no mercado financeiro. Na pesquisa de 2008, elas representavam 28,9% dos investidores e, neste ano, chegam a 32%. ''A mulher pensa muito no longo prazo'', destacou o diretor da Expo Money. ''As mulheres planejam e poupam mais. O homem é muito imediatista e olha para o curto prazo'', afirmou.
Ele destacou que, no longo prazo, aplicar em ações é menos arriscado que no curto. No entanto, disse que é importante consultar uma corretora, além de ler jornais, ver televisão e acompanhar o mercado. Magliano calcula que se uma pessoa aplicar R$ 300 por mês em ações, ao longo de 30 anos, pode chegar a R$ 1 milhão.
A maior parte dos entrevistados (54%) disse que investe em produtos do banco, seguido de corretores (38%) e administradores independentes (16%). ''As pessoas acham mais seguro, fácil e prático investir pelo banco'', disse Maglinao. Ele alerta que o risco é o mesmo em banco ou corretora. Na análise da faixa etária, mais de 50% está entre 26 e 47 anos e 34% têm até 25 anos. Com relação à área de atuação, o profissional liberal, com 14% é o cargo mais comum entre os entrevistados, seguido do empresário (13%) e investidor (10%). O paranaense também se preocupa com o futuro - 30% têm previdência e 43% pensam em fazer.
Hoje, o Brasil tem mais de 534 mil investidores pessoa física. O Paraná tem 30.684 investidores, em 2006 eram 11.872 e, em 2007, o número saltou para 24.817.


