Poupança teve pior rentabilidade em novembro desde 2003
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Com a inflação de dois dígitos no acumulado em 12 meses, as aplicações da caderneta de poupança tiveram em novembro a pior rentabilidade desde 2003. De acordo com cálculos da consultoria Economática, a rentabilidade real anualizada da poupança no mês passado ficou em 7,95%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses acumulou alta de 10,48%.
Com isso, o retorno anualizado real, ou seja, descontando a inflação, ficou negativo em 2,29%, o pior desde setembro de 2003, nos cálculos da Economática. O retorno real da poupança está no terreno negativo desde o início do ano.
A caderneta perde para a inflação porque a aplicação tem a rentabilidade calculada por uma fórmula, que, em linhas gerais, soma um retorno fixo de 0,5% ao mês com a taxa referencial (TR).
Quando a inflação está elevada, o Banco Central (BC) sobe a Selic, a taxa básica de juros (hoje em 14,25% ao ano), e a TR sobe junto, mas o peso dela na fórmula do retorno da poupança é pequeno. Assim, a rentabilidade da caderneta fica para trás.
O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, disse que, geralmente, a poupança tem liquidez diária e capital garantido, o que faz ter rentabilidade mais baixa. "Quanto menor o risco, menor o retorno", disse. Segundo ele, a tendência é que o IPCA caia para 6,5% em 2016, o que melhoria um pouco a rentabilidade da poupança.
Ele lembrou que, geralmente, a poupança é a porta de entrada do investidor para o mercado financeiro mas que, no momento, há outras aplicações mais rentáveis como o Tesouro Direto que, segundo ele, tem risco baixo e permite remuneração anual de até 15%. Mas, tem um tempo mínimo de um ano para o resgate, o que exige mais planejamento para a aplicação. Segundo ele, o Tesouro permite investimentos a partir de R$ 100 e cobra imposto de renda sobre a rentabilidade.
"Com a inflação alta, a poupança deixa de ser atrativa", disse o consultor de investimentos e sócio da Inva Capital, Raphael Cordeiro. Ele também sugere o Tesouro Direto como uma aplicação atrativa. De acordo com ele, o Tesouro Selic (LFT) é para aplicações de curto prazo de um a dois anos e rendeu 12% neste ano. Já o Tesouro Prefixado (LTN) é para aplicações de médio prazo de dois a três anos. Já o Tesouro IPCA+ é para aplicações acima de quatro anos.
Quem está comprando hoje o Tesouro Prefixado, por exemplo, com vencimento em janeiro de 2018, terá uma rentabilidade de 16% ao ano. Já o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2020 tem uma rentabilidade anual de 7,38% ao ano mais o IPCA.
Outra opção, segundo Perfeito, são os fundos de renda fixa geridos pelos bancos. Mas, vale lembrar que estas aplicações cobram taxa de administração sobre o patrimônio e tem imposto de renda sobre a rentabilidade.
Cordeiro disse que há alternativas ainda como os CDBs (Certificado de Depósito Bancário) para aplicações a partir de R$ 5 mil e que rendeu neste ano 9,66%, já descontado o imposto de renda. Este investimento tem liquidez diária.
Outras opções são a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) que não têm incidência de imposto de renda e renderam de 10% a 10,70% no ano.


