Poupança terá rendimento próximo ao de fundos
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quinta-feira, 19 de julho de 2007
Ney Hayashi da Cruz<br>Folhapress 
Brasília - Com os juros praticados no Brasil nos níveis mais baixos da história, o Banco Central decidiu aproximar o rendimento da caderneta de poupança ao rendimento médio oferecido por outras aplicações financeiras. É a segunda mudança no cálculo da TR promovida pelo governo neste ano. Em março, já havia sido feita uma alteração para reduzir o rendimento da poupança, na tentativa de evitar que a caderneta se tornasse mais rentável do que fundos DI e de renda fixa negociados no mercado financeiro.
Já a medida de ontem diminui a distância entre os juros de mercado e a TR. Na prática, o ganho da poupança pode até superar o de alguns fundos, uma vez que a caderneta conta com vantagens que outras aplicações financeiras não oferecem, como a isenção de Imposto de Renda e a ausência de taxas de administração.
As novas normas estabelecem a metodologia a ser seguida para o cálculo da TR (Taxa Referencial) a partir do momento em que os juros de mercado ficarem abaixo de 11% ao ano. Até então, as regras em vigor não previam essa possibilidade. Agora, o BC fixou os redutores para juros até 9% ao ano.
Hoje, a poupança rende a variação da TR mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês. A TR, por sua vez, é calculada a partir da chama TBF (Taxa Básica Financeira). E a TBF reflete o rendimento médio dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) negociados pelos bancos.
Sobre a TBF, aplica-se um redutor para se chegar à TR. O que o BC estabeleceu ontem foi que, quanto mais baixa for a TBF, menor será o redutor usado nesse cálculo.
Embora exista uma preocupação do BC em evitar que o rendimento da poupança ultrapasse a rentabilidade oferecida por fundos DI e de renda fixa (que acompanham a variação da taxa Selic, hoje em 11,5% ao ano), a recente queda dos juros exigia que o redutor usado no cálculo fosse revisto. Mantido o redutor anterior, a TR passaria a apresentar variação negativa em caso de juros de um dígito.
A medida beneficia poupadores e trabalhadores com contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), já que, ao contrário do que vinha acontecendo ao longo dos últimos anos, a tendência é que essas aplicações passem a ser um pouco mais competitivas em relação aos juros médios oferecidos por outras aplicações.
Por outro lado, aqueles que têm financiamentos habitacionais corrigidos pela TR passarão a pagar juros mais próximos daqueles cobrados em linhas de crédito convencionais.


