Poupança tem maior captação em 13 anos
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010
Fernando Nakagawa e Fabio Graner<br> Agência Estado 
Brasília - Mesmo com as despesas tradicionais do início do ano, como gastos escolares e impostos, os brasileiros conseguiram guardar dinheiro em janeiro e os depósitos na poupança superaram os saques no mês passado. Dados do Banco Central divulgados ontem mostram que as cadernetas captaram R$ 2,61 bilhões em novos depósitos, o melhor mês de janeiro desde 1997. O aumento da renda e a aceleração da atividade econômica explicam o bom resultado. No fim de janeiro, o valor conjunto de todas as contas somava R$ 323,21 bilhões.
O levantamento mensal do BC mostra que janeiro de 2010 foi o nono mês seguido em que as aplicações superaram as retiradas na poupança. Nesse período, as cadernetas atraíram R$ 34,56 bilhões líquidos em novos depósitos. Esse é o segundo mais longo período de resultados positivos mensais da poupança desde o Plano Real, em 1994. O maior período, de 19 meses consecutivos de captação positiva, aconteceu antes do agravamento da crise de 2008, até abril daquele ano.
''Os seguidos resultados positivos mostram um efeito do aumento efetivo da renda. As pessoas estão com mais dinheiro no bolso e conseguem poupar'', diz o professor de finanças da FGV-SP, Fábio Gallo. Para ele, o saldo positivo no primeiro mês do ano - período que costuma ter pequenos saldos positivos ou saques nas cadernetas - é sinal de que as ''famílias experimentam certa melhora da renda e, agora, pessoas estão conseguindo organizar as contas''.
O professor chama a atenção para o fato de que o ganho de renda tem acontecido, sobretudo entre os consumidores de menor rendimento. Nessa parcela da população, a caderneta de poupança é a primeira opção quando o assunto é investimento. ''A poupança lidera disparado entre os brasileiros com menor renda. É uma opção com risco baixíssimo, não paga Imposto de Renda e, o mais importante, de fácil entendimento. Por isso, é a porta de entrada para muitos clientes.''
Pesquisa da Caixa Econômica Federal, instituição líder no segmento, comprova a avaliação do professor da FGV. Segundo o banco, 65% dos detentores de caderneta têm renda mensal de até R$ 700 e 42% de todas as contas é de clientes com idade entre 21 e 40 anos. Geograficamente, 70% das cadernetas são de clientes que moram nos estados do Nordeste e Sudeste do País.


