Brasília Os depósitos nas cadernetas de poupança superaram os saques pelo quarto mês consecutivo em agosto. Dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) mostram que o mais tradicional investimento financeiro atraiu R$ 3,09 bilhões em novas aplicações no mês passado, o segundo melhor resultado do ano, atrás apenas de julho. As novas aplicações, no entanto, não são resultado de uma eventual migração de recursos porque os fundos de investimento e os Certificados de Depósito Bancário (CDB), eventuais origens em uma troca, também fecharam o mês no azul.
Os dados do BC mostram que, apesar de o resultado do mês passado não ter sido tão exuberante como em julho (quando foram captados R$ 6,7 bilhões), as cadernetas continuam atraindo volumes expressivos de aplicações. Na comparação com agosto de 2008 - último mês antes do estouro da crise financeira, a captação de novos recursos saltou 66,2%.
No acumulado dos oito primeiros meses de 2009, novas aplicações aumentaram o saldo da poupança em R$ 12,21 bilhões. Esse valor é 42,8% maior que o registrado em igual período de 2008.
Analistas relacionam a reação das cadernetas com a retomada da atividade econômica no Brasil. Em meio à volta da criação de empregos e recuperação da renda das famílias, muitos brasileiros têm conseguido terminar o mês com dinheiro na conta corrente.
Essa capacidade de poupar tem sido ainda potencializada. Isso porque normalmente a memória recente de turbulências econômicas faz com que os gastos sejam mais comedidos nos períodos imediatamente posteriores às quedas da economia, como o atual.
Números de outras entidades afastam a possibilidade de que a poupança estaria captando recursos provenientes de outras aplicações, em um movimento de migração gerado pela redução do patamar do juro básico da economia. Atualmente, a taxa Selic, principal referência dos fundos de investimento de renda fixa e CDBs, está em 8,75%, a mínima histórica.
Os fundos, por exemplo, terminaram agosto com novos investimentos. Juntas, as carteiras do tipo DI e renda fixa - concorrentes diretas das cadernetas - encerraram com captação positiva de R$ 3,25 bilhões, segundo levantamento mensal da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Nos CDBs, o estoque aumentou R$ 8,84 bilhões, segundo a Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip).
Havia o temor de que, com o atual nível da Selic, houvesse migração maciça dos fundos para a poupança. Isso porque as cadernetas, ao contrário dos fundos, não pagam Imposto de Renda e têm rentabilidade pré-estabelecida que, dependo da taxa de administração cobrada nos fundos, pode ser maior que a paga nas carteiras DI ou de renda fixa em tempos de juro baixo.
Até a equipe econômica anunciou que poderia tomar medidas para evitar esse tipo de mudança brusca que, em última instância, prejudica a gestão da dívida pública porque os fundos são grandes compradores de títulos do governo. Mas, até agora, nada foi colocado em prática.

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