Brasília O Banco Central (BC) mudou mais uma vez a metodologia de cálculo para a captação líquida da poupança que, em dezembro, voltou a ser a simples diferença entre depósitos e retiradas. Seguindo essa fórmula, o resultado da poupança em dezembro foi negativo em R$ 435,981 milhões, uma vez que os saques superaram os depósitos no mês. De acordo com o BC a opção pela forma antiga foi para uniformizar o procedimento com os fundos de investimento que também calculam a captação líquida pela diferença entre ingresso de recursos e saques.
Até novembro de 2002 a captação líquida da poupança incorporava o rendimento creditado às contas à diferença entre depósitos e retiradas. Essa metodologia foi implantada a partir de agosto de 1999, pelo então diretor de Política Econômica Sérgio Werlang. Foi graças ao rendimento creditado às contas que o resultado da poupança foi positivo em R$ 1,5 bilhão em 2000, saltando para R$ 7,7 bilhões em 2001.
No período de janeiro a novembro de 2002, a soma da diferença entre depósitos e saques mais o rendimento creditado resultou, pela metodologia antiga, numa captação líquida de R$ 20,27 bilhões, quase três vezes mais o resultado de todo o ano anterior. Em 2002 a poupança foi beneficiada pela migração em massa de recursos dos Fundos de Investimentos Financeiros (FIFs).
Os investidores optaram pela poupança depois que sofreram pesadas perdas nos FIFs. Contribuiu para aumentar a crise a determinação do BC de que os títulos das carteiras dos FIFs fossem contabilizados pelo seu valor de mercado numa hora em que eles estavam em baixa.

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