Agência Folha
De São Paulo
A caderneta de poupança pagou, neste ano, apenas a metade dos juros reais de 6,17% que acompanham essa aplicação desde a década de 60, pelo menos como expectativa de rentabilidade acima da inflação. As contas do dia 1º vão acumular em 99 rendimento de 12,25%, ou seja, cerca de 3% acima da inflação medida por diversos índices de preços.
A Fipe projeta taxa de 8,70% para o seu IPC neste ano, o que significará juros reais de 3,27% para a poupança. Sobre o IPCA-Especial, medido pelo IBGE em 11 regiões do país, que alcançou 8,92%, os juros reais ficam em 3,06%.
Se essas taxas representam decepção para os poupadores, trazem alívio para os mutuários da casa própria. A poupança ficou nisso em 99 porque está atrelada à TR, que acumulou variação de 5,73% no ano. A TR nasceu, em fevereiro de 91, como uma taxa que refletiria a rentabilidade média dos CDBs prefixados expurgada dos juros reais da economia. Teoricamente, teria relação com a inflação. Por um longo período após o Plano Real, empatou com a inflação, mas passou a superá-la nas recentes crises financeiras, quando o Banco Central jogou os juros na lua. Em 99, devido a mexidas na fórmula de cálculo do redutor, a TR ficou abaixo da inflação.
TR e poupança perdem de goleada da inflação se forem considerados os IGPs da Fundação Getúlio Vargas. O IGP-M, já divulgado porque sua pesquisa se encerra no dia 20 de cada mês, alcançou 20,10% neste ano. A poupança teria tido uma perda real de 6,54%.
Se o único parâmetro de inflação fossem os IGPs, o Brasil teria tido em 99 os juros mais baixos da história. Para o investidor pessoa física, que paga Imposto de Renda na fonte, as taxas seriam bem negativas. O CDI (juro interbancário, parâmetro das aplicações) deve encerrar este ano em 25,15% brutos, com 4,20% anuais sobre o IGP-M. Descontando 20% de imposto, o CDI cairia para cerca de 20%, empatando, portanto, com a inflação. Os juros de 99 teriam sido praticamente negativos. E aqui nada se computou de CPMF.
É a primeira vez, no Plano Real, que a poupança paga abaixo de 6% reais no ano. Se o cálculo for feito para um prazo bem longo, entretanto, o rendimento médio abaixo dos 6% não será novidade, conforme demonstrou o economista Claudio Roberto da Silva Carmo em dissertação de mestrado na FEA-USP em 98.
De janeiro de 67 a janeiro de 98, período analisado, os juros reais, ou seja, acima da inflação, alcançaram 37,5% na caderneta, calculou Carmo. Essa taxa equivaleu a apenas 1,03% real ao ano, na média. Em seu levantamento, o economista recorreu ao IGP-DI como medida da inflação, sem qualquer ‘‘expurgo’’.

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