A previsão da maioria dos analistas econômicos é que o Banco Central (BC) anuncie hoje a elevação da taxa básica de juros, a Selic, de 8,50% para 9%, o que deve encerrar as diferenças de resultado que existem entre investimentos em poupanças antigas e as criadas após maio de 2012. Segundo estudo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a elevação dos juros fará com que o poupador receba 6,68% no fim de 12 meses.
O governo mudou as regras para novas poupanças no ano passado, ao estipular que rendessem a soma de 70% da Selic com a Taxa Referencial (TR), sempre que a taxa básica estivesse em 8,50% ou menos. Como o percentual estava no limite, as cadernetas antigas rendiam 6,17% e as mais atuais, 5,95%, conforme a entidade.
Para diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, a provável elevação da taxa em 0,50% ainda deixa a poupança mais interessante do que fundos de renda fixa para resgate em um ano. A exceção é quando o investidor paga a taxa de administração (TA) mínima, de 0,50%. Nos outros casos, a tradicional caderneta ainda é mais rentável. "Os fundos de renda fixa possuem tributação do imposto de renda sobre seus rendimentos, sendo maior a tributação quanto menor for o prazo de resgate, além de ter a cobrança da taxa de administração pelos bancos", diz, em nota.
Risco para o País
Oliveira diz ainda que o aumento de 0,50% terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito para pessoa física. No entanto, a medida do BC é usada para diminuir a oferta de crédito, o consumo e o processo de elevação de preços. O integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Luciano D’Agostini, discorda que a elevação da Selic seja correta. "Ajuda no combate à inflação, mas contribui para colocar em risco a macroeconomia", diz, ao lembrar que o movimento nos juros inibe investimentos.
Ele cita que o BC e o Ministério da Fazenda deveriam promover ações como restringir o crédito para pessoas já endividadas, para combater a inflação e, assim, poder reduzir a Selic. Ele vê a flutuação cambial como outro problema. "O estrangeiro não quer investir um valor em dólar e depois resgatar menos porque o real está se desvalorizando", diz. Nesse cenário, ele acredita que o País entre em semiestagnação, com um Produto Interno Bruto (PIB) de no máximo 1%.
O professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pensa diferente e diz que não se espantaria se a Selic fosse mantida em 8,50%. "O pico da crise cambial passou e o dólar deve se manter nesse patamar, assim como a inflação recuou no mês passado", lembra. Moraes Neto aceita, porém, que o provável é a elevação em 0,50%, mas não vê risco no reajuste. "Claro que há um impacto, mas o que determina se há aumento nos investimentos é a capacidade de crescimento da economia, que hoje está baixa", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Poupança nova deve render como antiga
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