Poupança mantém ritmo de crescimento
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quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Agência Estado 
SÃO PAULO - O saldo da poupança, até 27 de novembro, estava 2,47% acima do de outubro, segundo o Banco Central. Esse crescimento se deve especialmente à captação líquida, que somou R$ 853,9 milhões, 210% mais do que em todo o mês anterior. A tendência se mantém este mês. A captação líquida do Banco de Boston, nos primeiros dias do mês, superou em 39,4% a de igual período de outubro. O Bradesco captou, só no primeiro dia de dezembro, R$ 27 milhões.
Esse movimento, no mês passado, explicam especialistas do mercado financeiro, reflete mais a disposição do consumidor de poupar do que a migração de recursos de outros investimentos para a poupança por causa do melhor rendimento desse ativo, após a queda do redutor da Taxa Referencial de Juros (TR). O consumidor está aprendendo a viver num país com estabilidade de preços, afirma Décio Tenerello, diretor-executivo do Bradesco.
A captação líquida do Bradesco, no mês passado, atingiu R$ 215 milhões. O resultado do banco foi o melhor no mês de novembro, desde 1994. O reflexo do pagamento da primeira parcela do décimo terceiro, na sua opinião, ainda é muito pequeno. O principal fato é que o consumidor deixou de comprar para poupar, conclui. Uma prova disso, segundo o executivo, é o número de abertura de contas. No mês passado, a média diária de abertura de contas de poupança, no Bradesco, foi 6.765.
O aumento da inadimplência em dezembro do ano passado, avaliam os especialistas, deixaram os consumidores assustados. Este ano, provavelmente não teremos o mesmo volume de inadimplência que em dezembro de 95, diz Tenerello. O diretor de Crédito Imobiliário do Banco de Boston, Fábio Nogueira, compartilha da mesma opinião. A tendência de quem não tem dívida para pagar é poupar.
Sua expectativa é que o movimento na poupança em dezembro, este ano, seja pelo menos o dobro do de 1995. Tradicionalmente, dezembro é o melhor mês da caderneta de poupança, afirma. O saldo no ano passado, cresceu 2%. Este ano, calcula deve crescer entre 4% e 5%.
A alteração no redutor da TR, que cai para 0,85% este mês e atinge o menor percentual do ano, vai estimular as aplicações na poupança mesmo este mês, dizem os especialistas.


