Poupança garante segurança no futuro
Depois de aprender como funciona o próprio orçamento doméstico, a família deve definir um valor para poupar. Para o diretor do campus Londrina da Pontifícia Universidade Católica (PUC), o consultor de finanças pessoais e empresariais Charles Vezozzo, o ideal é que a fatia seja de 8% a 10% da receita. Ele afirma que é preciso entender que é uma quantia que não deve necessariamente ser usada, mas funcionar como reserva. "Há imprevistos no planejamento, como uma peça do carro que quebra. É preciso se preparar", diz.
Ele ainda completa que é possível programar compras. "Os filhos crescem, precisam de roupas e posso guardar R$ 100 ao mês para fazer uma compra grande ou aos poucos", conta. Ter recursos em caixa ainda abre a possibilidade de fugir dos juros de crediários, cartões de crédito e cheques especiais. O coordenador do projeto de educação financeira sustentável na Universidade Estadual de Maringá (UEM), Antônio Zotarelli, afirma que, a não ser que seja algo essencial, o ideal é pagar à vista. As compras parceladas são os principais inimigos do orçamento doméstico, principalmente porque o consumidor não observa o quanto pagará a mais pelo produto. "A cultura do brasileiro é olhar se a prestação cabe no bolso. Se acaba uma, faz outra. Aí, fica endividado."
Casais, principalmente com filhos, devem incluir toda a família no planejamento. Se uma pessoa faz tudo certo e a outra gasta mais do que ganha, um anula o outro. No caso dos jovens, é importante que participem para evitar a insistência em produtos que os pais não podem comprar e para que aprendam a se organizar.
Vezozzo conta um exemplo próprio, em que ele, a mulher e os filhos economizaram por três anos para fazer uma viagem juntos. A poupança incluiu não gastar com férias no período, mas todos se engajaram. O resultado foi a viagem dos sonhos de todos, por 15 dias e sem dívidas no banco. "Até a pequenininha guardava moedas para ajudar. A experiência me marcou muito e foi uma lição para meus filhos." (F.G.)





