Poupança e Fundo DI são opções do mês
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segunda-feira, 10 de novembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaContando dinheiroMomento é de o investidor estudar onde aplicar para evitar prejuízos e até garantir algum ganhoO fato de o Banco Central (BC) ter divulgado rendimentos cada dia menores para a caderneta de poupança na semana passada - 2,42%, para a conta do dia 3, e 2,12%, do dia 6 - não significa que a aplicação esteja perdendo sua vantagem este mês diante dos fundos de investimento financeiro de 30 dias e de CDBs prefixados de valores bastante elevados, como R$ 100 mil. Ela continua bastante competitiva. Além disso, rendimento acima de 2%, com a inflação abaixo de 1%, é muito atraente.
Se a caderneta vem sofrendo corte no rendimento é porque as taxas de juro dos CDBs vêm caindo também, reduzindo os ganhos oferecidos por esses títulos e, por tabela, pelos fundos de 30 dias, que têm seu rendimento calculado com base nos juros desses papéis também.
A Taxa Referencial (TR), que é fator de remuneração da caderneta, é calculada com base na taxa média dos CDBs. Se o juro do papel cai, a taxa média do título será menor e definirá uma TR também mais baixa.
Foi o que ocorreu na semana passada, a primeira depois da elevação das taxas de juro pelo Banco Central, no dia 30 - o BC alçou a Taxa Básica do Banco Central (TBC), considerada o piso da economia, de 1,58% para 3,05%. Na segunda-feira, dois dias úteis após o choque dos juros, os bancos extrapolaram e pagaram uma taxa média de 44% ao ano nos CDBs, conforme números do BC. Na quinta-feira, essa média havia escorregado para 36,40%.
Vale lembrar, no entanto, que a semana foi encerrada em clima bastante tenso no mercado financeiro, com as Bolsas em queda e o BC sendo obrigado a vender dólares para evitar a alta nas cotações da moeda.
Nesse cenário de indefinições, ainda que a caderneta seja rentável, vale lembrar que ela é uma aplicação prefixada - ou seja, o rendimento não muda, mesmo que as condições do mercado se alterem. Prova disso é que o crédito este mês, para depósitos feitos em outubro, está na casa de 1%.
Por isso, neste momento, pode ser mais interessante refugiar-se num fundo de investimento financeiro DI, mesmo que a opção implique alongamento do prazo para 60 dias.
Sobre outras aplicações, a caderneta ainda tem vantagens fiscais. É o único investimento que possibilita escapar da CPMF no momento do depósito, porque aceita depósito de cheque de terceiros. Além disso, em muitos bancos a caderneta mensal tem isenção do tributo, após carência de 90 dias. Há instituições que estabeleceram carência de apenas 30 dias.
Risco altoA instabilidade nas Bolsas de Valores fortalece o risco do investimento em ações. A turbulência no mercado internacional e o agravamento de expectativas internas expõem o mercado de ações a bruscas e fortes oscilações de preço, sem definição de tendência. Momentos fugazes de alta, que poderiam sugerir recuperação, são rapidamente neutralizados por novas ondas de baixa, de acordo com a dança dos juros e das ações no mercado externo.
Como opção ao risco mais acentuado das Bolsas o investidor tem o porto seguro da renda fixa, cujas aplicações, dos CDBs aos fundos, passando pela caderneta, estão tirando proveito da escalada dos juros. A escolha de uma ou outra aplicação vai depender do valor e do prazo de investimento. O que parece claro é que o rendimento da renda fixa está demasiadamente tentador para quem não quer correr riscos com ações.
Bom para o investidor e ruim para quem está pendurado em dívida, entre eles o governo, o maior tomador de empréstimos na praça, o tranco nos juros parece estar sendo insuficiente, até o momento, para conter a saída de capitais. Além de assistir às novas e fortes baixas das Bolsas, o governo voltou a ter trabalho no câmbio, comercial e flutuante, em que o Banco Central foi vendedor de dólares para abastecer o mercado. A persistente saída de capital, se mantida, pode levar o governo a adotar novas medidas na área monetária e até na cambial. Mas continua uma temeridade apostar no black.


