Nos próximos dias, alguns bancos já deverão oferecer vantagens como prêmios e sorteios aos investidores em caderneta de poupança. A iniciativa, no caso, é resposta à Resolução n. 2.475, divulgada na semana passada, que permite que as instituições financeiras concedam benefícios aos investidores em caderneta, fundos e CDBs sem necessidade de prévia autorização do Banco Central (BC).
Segundo especialistas, os bancos deverão oferecer vantagens primeiramente na caderneta, pois a rentabilidade dessa aplicação é idêntica em todo o mercado (TR mais 0,5% ao mês). Assim, a concessão de outros atrativos poderá tornar a poupança diferenciada em cada instituição.
O gerente-geral de Captação do Banco Real, Fernando Sá, diz que quem aplicar a partir desta semana já terá direito a concorrer ao benefício que a instituição vier a oferecer. Segundo ele, num primeiro momento o banco vai pesquisar o que o público está desejando, para então definir o que será ofertado aos investidores. ‘‘Se decidirmos dar uma viagem, por exemplo, será que é melhor que seja para a França, para Miami ou para o Nordeste?’’, exemplifica. Sá afirma ainda que não sabe exatamente quando vai conceder o benefício aos aplicadores em caderneta.
O Unibanco é outra instituição que deve oferecer brevemente algum benefício aos seus poupadores, embora não tenha definido qual a vantagem nem quando vai passar a concedê-la. O diretor de Produtos de Varejo do Unibanco, Rogério Estevão, considera a novidade positiva, pois o governo deu flexibilidade ao administrador.
Outra ala do mercado, no entanto, vê com reservas o clima de competitividade que se deve instalar no segmento de caderneta. Está entre eles o diretor de Crédito Imobiliário e Poupança do BankBoston, Fábio Nogueira. Ele teme que ocorra uma concorrência predatória. Segundo Nogueira, o sistema de poupança norte-americano quebrou há 20 anos por conta de um clima de competitividade feroz entre as instituições. Para ele, o mais indicado seria o governo conceder um incentivo fiscal, permitindo que o poupador deduzisse do Imposto de Renda parte do que aplica.
Ainda assim, Nogueira diz que o BankBoston deve lançar alguma vantagem assim que os outros bancos derem a largada. Ele antecipa apenas que os critérios de concessão de benefícios serão o volume de recursos e o prazo de aplicação do dinheiro.
O diretor do BankBoston lembra que se criou um clima de desigualdade de competição no mercado. Os bancos com carteiras mais antigas de financiamento imobiliário devem levar desvantagem, porque recebem taxas menores de retorno por esses empréstimos. Assim, o custo de captação ficará ainda maior se passarem a conceder benefícios aos poupadores.
O Bradesco não deve oferecer vantagens aos poupadores, pelo menos por enquanto. Segundo avaliação do banco, a margem de ganho da instituição nas operações é pequena. Uma condição para que a concessão de prêmios aos aplicadores se torne interessante seria, na avaliação do banco, a extinção da exigência de que as instituições apliquem 70% dos recursos captados pela caderneta em financiamentos habitacionais e depositem outros 15% compulsoriamente no BC.
Já o Banco de Crédito Nacional (BCN) está estudando o assunto, assim como o HSBC Bamerindus e o Banco do Brasil.
O diretor de Investimentos do Banco Francês e Brasileiro (BFB), Alexandre Zakia Albert, explica que, como o rendimento dos fundos e CDBs varia de banco para banco, o peso de vantagens nesses produtos é menor do que na caderneta. Mesmo assim, ele acredita que as instituições vão oferecer algum tipo de benefício também nessas aplicações.

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