Poupança: crescimento em ritmo cada vez menor
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sexta-feira, 05 de setembro de 2008
Fernando Nakagawa<br>Agência Estado 
Brasília - A poupança tem crescido em ritmo cada vez menor nos últimos meses. Dados do Banco Central mostram que a captação líquida em agosto (R$ 1,432 bilhão) foi 55,9% menor que a registrada no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as aplicações (R$ 7,852 bilhões) representam queda de 49,5% na comparação com igual período de 2007.
A menor atratividade das cadernetas acontece em período de aperto monetário e subida dos juros no Brasil. Esse fenômeno também coincide com saída de recursos dos fundos de investimento e a migração de aplicações para os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).
Em agosto, segundo a Central de Custódia e Liquidação de Títulos (Cetip), os CDBs ganharam R$ 43,7 bilhões em novos investimentos. Essa atração acabou influenciando todo o mercado de investimentos com a menor aplicação de recursos na poupança e a saída líquida de R$ 10,7 bilhões que estavam aplicados em fundos de investimento. No mês, a queda no preço das ações também sinaliza a saída de agentes do mercado acionário paulista.
Economistas afirmam que bancos têm incentivado a captação de recursos em CDBs para que as instituições possam atender à demanda por crédito. Isso acontece porque 70% de todos os recursos aplicados nesses papéis podem ser usados pelos bancos para a oferta de crédito. Nas cadernetas de poupança, esse porcentual de livre uso é de apenas 5%. Nos fundos de investimento, os recursos são alocados em títulos públicos, ações ou cotas de outros fundos - conforme o perfil da carteira - o que reduz bastante a possibilidade de uso desses recursos para a oferta de crédito.
Para atrair recursos para os CDBs, alguns bancos chegam a oferecer rentabilidade superior à taxa do Depósito Interbancário (DI), principal referência de renda fixa do País e que remunera a maior parte dos fundos de investimento considerados conservadores.


